31 janeiro 2026

Casos de diabetes aumentam mais de 130% no Brasil em 20 anos, afirma Ministério da Saúde

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O Brasil vive um avanço expressivo nos diagnósticos de diabetes ao longo das últimas duas décadas. Dados da edição mais recente do Vigitel, pesquisa anual do Ministério da Saúde, indicam que 12,9% da população adulta convivia com a doença em 2024. O percentual representa uma alta de 134,5% em comparação com 2006, ano em que o levantamento foi realizado pela primeira vez e apontava prevalência de 5,5%.

Considerada uma enfermidade crônica, o diabetes ocorre quando o organismo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la de forma adequada. Esse hormônio é essencial para controlar os níveis de glicose no sangue. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 14% dos adultos no mundo vivem com a condição, o equivalente a aproximadamente 828 milhões de pessoas. No cenário brasileiro, os 12,9% correspondem a cerca de 19,9 milhões de indivíduos, conforme projeção baseada no Censo Demográfico de 2022, do IBGE.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Especialista esclarece dúvidas sobre o diabetes, doença que afeta mais de 16 milhões de brasileirosFoto: Divulgação Especialista esclarece dúvidas sobre o diabetes, doença que afeta mais de 16 milhões de brasileirosFoto: Divulgação Especialista esclarece dúvidas sobre o diabetes, doença que afeta mais de 16 milhões de brasileirosFoto: Divulgação Especialista esclarece dúvidas sobre o diabetes, doença que afeta mais de 16 milhões de brasileirosFoto: Divulgação Saiba como cuidar da taxa glicêmicaDivulgação

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Entre os tipos mais recorrentes da doença estão o diabetes tipo 1 e o tipo 2. O primeiro tem origem autoimune: o próprio sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, tornando o paciente dependente da reposição do hormônio. Já o tipo 2, que concentra cerca de 90% dos diagnósticos, está diretamente associado ao estilo de vida. Excesso de peso, alimentação inadequada e sedentarismo contribuem para a sobrecarga das células pancreáticas, prejudicando a ação da insulina no organismo.

A análise por gênero mostra que o crescimento dos casos foi mais intenso entre os homens, com aumento de 143,5% ao longo de 18 anos, enquanto entre as mulheres a elevação foi de 127%. Quando observadas as faixas etárias, o maior salto ocorreu entre adultos de 25 a 34 anos, com alta de 236,4%. Na sequência aparecem os grupos de 35 a 44 anos (113,8%), 45 a 54 anos (108,5%), 18 a 24 anos (88,9%) e idosos com 65 anos ou mais (66,1%). O menor avanço foi registrado entre pessoas de 55 a 64 anos, com 29,3%.

A escolaridade também influencia os números. Segundo o Vigitel, o crescimento mais acentuado ocorreu entre indivíduos com ensino médio completo ou superior incompleto, onde os casos aumentaram 268%. Em seguida estão aqueles com ensino fundamental completo e médio incompleto (210%), superior completo (181,3%) e pessoas sem escolaridade formal ou com fundamental incompleto (152,6%).

Ao considerar todo o período entre 2006 e 2024, a taxa média anual de crescimento do diabetes no país foi de 0,35%. No entanto, a tendência se acelerou recentemente: nos últimos cinco anos avaliados, o avanço anual chegou a 0,90%, mais que o dobro do ritmo histórico.

Esse movimento não é exclusivo do Brasil. Um estudo divulgado em 2024, com apoio da OMS e publicado na revista científica The Lancet, revelou que a quantidade de adultos com diabetes no mundo quadruplicou entre 1990 e 2022. A expansão está fortemente ligada ao diabetes tipo 2, associado a comportamentos e hábitos cotidianos.

“Temos visto um aumento alarmante do diabetes nas últimas três décadas, o que reflete o aumento da obesidade, agravado pelos impactos do marketing de alimentos não saudáveis, falta de atividade física e dificuldades econômicas. Para controlar a epidemia global de diabetes, os países devem agir urgentemente. Isso começa com a promulgação de políticas que apoiem dietas saudáveis e atividade física e, mais importante, sistemas de saúde que ofereçam prevenção, detecção precoce e tratamento” alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na ocasião.

Os dados do Vigitel reforçam a relação entre o avanço da doença e o aumento dos fatores de risco no país. O excesso de peso, definido por índice de massa corporal (IMC) acima de 25 kg/m², cresceu 46,9% desde 2006 e hoje atinge 62,6% dos brasileiros. A obesidade, caracterizada por IMC superior a 30 kg/m², teve um salto ainda mais expressivo: 117,8%. Atualmente, 25,7% da população, mais de um quarto dos brasileiros, vive com obesidade.

Apesar de uma redução na inatividade física durante o lazer, houve queda significativa na prática de atividade física como meio de deslocamento. Caminhar ou pedalar para o trabalho ou a escola tornou-se menos comum: a proporção caiu de 33,5% em 2009 para 2024. A ingestão regular de frutas e hortaliças manteve-se estável, em torno de 31%. Em contrapartida, o consumo abusivo episódico de álcool aumentou 30% entre 2006 e 2024. O tabagismo, que vinha diminuindo no início do século, voltou a crescer e teve alta de 18,5% entre 2019 e 2024.

Pela primeira vez, a pesquisa incluiu informações sobre qualidade do sono. Os resultados mostram que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% relatam sintomas compatíveis com insônia.

Diante desse panorama, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma iniciativa nacional focada na promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida da população. O plano prevê investimento de R$ 340 milhões em ações voltadas à prática de atividade física, incluindo a retomada do programa Academia da Saúde, que contará com aporte de R$ 40 milhões ainda em 2026.

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