
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) vai se reunir nesta segunda-feira (5) para discutir a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A reunião foi solicitada formalmente pelo governo de Caracas, que classificou a ação norte-americana como uma “agressão criminosa”.
O pedido contou com o apoio de países como Irã e Colômbia. O encontro está marcado para ocorrer em Nova York e acontece no mesmo dia em que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, detidos nos Estados Unidos, devem comparecer a um tribunal federal em Manhattan. Segundo autoridades norte-americanas, Maduro é acusado de crimes de narcoterrorismo e posse de armas. A audiência judicial está prevista para as 12h, no horário local.
Também estão previstas para esta segunda-feira manifestações de protesto em Lisboa e no Porto, em Portugal, contra a operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano.
A ofensiva americana, realizada na madrugada de sábado (3), provocou forte reação internacional e dividiu governos entre críticas e apoio à queda de Maduro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já alertou que a ação pode ter “implicações preocupantes” para a estabilidade da região.
Horas após o ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país pretende administrar a Venezuela até a conclusão de um processo de transição de poder e afirmou que não descarta uma nova ofensiva militar, se considerar necessário.
No domingo (4), Delcy Rodríguez, vice-presidente do governo Maduro, foi anunciada como presidente interina da Venezuela. Em seguida, Trump fez ameaças diretas à nova liderança, afirmando que ela “pagará mais caro do que Maduro” caso não cumpra determinações dos Estados Unidos.
Brasil deve pedir a palavra
Embora não seja membro do Conselho de Segurança, o Brasil pretende solicitar espaço para se pronunciar durante a reunião, com base na regra 37 do regimento interno do órgão, que permite a manifestação de países não integrantes. A participação brasileira deverá ocorrer por meio do embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese.
De acordo com integrantes do governo, o discurso deve reforçar a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já condenou publicamente a ofensiva dos EUA. Lula afirmou que os bombardeios e a captura de Maduro representam uma “afronta gravíssima” à soberania venezuelana e violam princípios do direito internacional.
O governo brasileiro também deve defender uma solução pacífica para o conflito, o respeito às normas internacionais e o fortalecimento do multilateralismo. Segundo interlocutores do Itamaraty, não há expectativa de que a reunião resulte na aprovação de uma resolução, já que qualquer proposta nesse sentido poderia ser vetada pelos Estados Unidos.
No domingo, Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta expressando “profunda preocupação e rejeição” à ação militar unilateral na Venezuela, defendendo que a crise seja resolvida por meio do diálogo, da negociação e sem interferência externa.






