O dólar à vista registrou queda nesta sexta-feira (2/1), no primeiro pregão de 2026. A cotação da moeda americana caiu 1,18%, atingindo R$ 5,42. Às 16h55, o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), operava em queda de 0,35%, aos 160.560,52.
Nesta sexta-feira, o real destacou-se na sessão, uma vez que o dólar ganhou força em relação a diversas moedas. O índice DXY, que compara o desempenho da divisa americana com outras seis (iene, euro, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço), registrava avanço de 0,15%%, às 16h55.
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André Valério, economista sênior do Banco Inter, observa que o real se apreciou de forma intensa nas duas últimas sessões, apesar da valorização do dólar medida pelo índice DXY e em sentido contrário à maior parte dos pares emergentes. “Esse comportamento indica que a reversão do fluxo de saída de capitais associado ao pagamento de dividendos tem sido o principal vetor por trás do movimento recente”, diz.
Com isso, acrescenta Valério, o câmbio voltou a patamares próximos aos observados antes do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que havia contribuído para elevar a volatilidade em meio à sazonalidade de dezembro. “Esperamos a continuidade dessa tendência ao longo de janeiro, com o câmbio relativamente comportado em torno de R$ 5,40, salvo novas incertezas no cenário internacional”, acrescenta.
Cenário externo
Nesta sexta-feira, os investidores continuaram acompanhando os movimentos da agenda econômica no exterior. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por exemplo, promete indicar em “algum momento em janeiro” o sucessor do atual presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell.
O republicano e seus aliados dentro do Fed têm exercido forte pressão por mais um corte dos juros do país, atualmente no intervalo entre 3,50% e 3,75%, na próxima reunião que discutirá o tema, em 28 de janeiro. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, no entanto, as chances de manutenção da atual taxa são de 85%.
Atividade econômica
Nesta sexta-feira, a S&P Global divulgou o índice de gerentes de compras industrial (PMI, na sigla em inglês) dos EUA. O indicador, na prática, não trouxe grandes novidades sobre o ritmo da atividade econômica no país. Ele confirmou estimativas do mercado. A pontuação acima de 50 indica que o setor manufatureiro continuou em expansão no mês passado.
No Brasil, os agentes econômicos apostam na manutenção da taxa básica de juros do país, a Selic, fixada em 15% ao ano, pelo menos até março. A estimativa toma como base os comunicados oficiais e as atas das reuniões do Banco Central (BC), além de declarações frequentes do presidente do BC, Gabriel Galípolo. Além disso, no fim de 2025, dados sobre o emprego mostraram ainda um mercado de trabalho aquecido.
Ibovespa
O Ibovespa manteve a estabilidade durante parte da sessão, mas caiu ao longo da tarde. Ações de grande peso no índice, como a Petrobras e a Vale, operaram em baixa e ajudaram a puxar para baixo o resultado final do pregão.
O desempenho dos papéis da Petrobras foi influenciado pela redução global do preço do petróleo, no primeiro dia de negociações em 2026. Em 2025, as cotações da commodity caíram 20%, pressionadas por preocupações sobre o excesso de oferta global. Essa foi a maior baixa anual desde 2020.
Na sessão de sexta-feira, as ações de frigoríficos, como Minerva, também recuaram. Elas foram pressionadas pela decisão da China de limitar a importação de carne bovina para proteger produtores locais. A medida foi anunciada por Pequim na quarta-feira (31/12). O Brasil é o maior fornecedor do produto para o mercado chinês.






