9 de julho de 2026

Em calendário enxuto, estaduais iniciam valendo menos que no passado

Em calendário enxuto, estaduais iniciam valendo menos que no passado
Em calendário enxuto, estaduais iniciam valendo menos que no passado

Após menos de um mês do fim da última temporada, o futebol retorna nesta semana em boa parte do território brasileiro. No Ceará, Paraná e Santa Catarina a bola já voltou a rolar desde a última terça-feira (6/1). Entre sábado e domingo, outros 15 estados dão início às competições mais tradicionais do país — que ainda assim não passam longe das críticas.

Nos últimos anos, muito se falou sobre mudanças no formato dos torneios regionais. Em meio ao inchaço do calendário e novos campeonatos, que fizeram alguns clubes ficarem entre a marca de 70 e até 80 partidas, a saída foi reduzir a competição de menor apelo. Em 2025, o calendário da CBF reservou 16 datas; para esta temporada, são no máximo 11. Além disso, outro problema crescente foi o esvaziamento dos estaduais.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Divulgação CBF anuncia novo calendário na sede da entidadeFOTO: @rafaelribeirorio / CBF
Premiação aconteceu nesta segunda-feira (8/12), no Rio de Janeiro.Staff Images/CBF CBF projeta 30 árbitros profissionais já em 2026 e mira padrão europeuFoto: @rafaelribeirorio / CBF

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Nas arquibancadas, estádios vazios se tornaram cada vez mais comuns:

O Campeonato Carioca 2025 teve média de público de 8.468 pagantes;
Com liderança de Atlético e Cruzeiro, a média em Minas Gerais foi de 7.070 pagantes;
Em São Paulo, a média ficou em 12.398 pagantes por jogo.

Para efeito de comparação, o Brasileirão 2025 teve um total de 9,7 milhões de ingressos vendidos e uma média de 25.531 pagantes por partida. Com menos torcedores nos estádios, a arrecadação dos clubes com a bilheteria passou a ser insuficiente para lidar com os investimentos milionários (algumas vezes até bilionários) e folhas salariais cada vez maiores.

A arrecadação também foi comprometida com a queda nos valores das premiações. Nas últimas quatro temporadas, o campeão do Cariocão não recebeu nenhuma premiação em dinheiro, por exemplo. Ficou acordado entre os clubes e a FERJ que apenas as cotas de TV seriam pagas à cada equipe, sem qualquer relação com o desempenho técnico dos times.

Para 2026, 70% dos ganhos serão fixos, enquanto o restante será entregue conforme o desempenho na competição. O vencedor vai levar R$ 10 milhões. Na prática, a quantia disponibilizada aos clubes é a mesma, a diferença é a forma para conquistá-la. E a premiação ainda segue distante dos R$ 77 milhões que o Corinthians arrecadou ao vencer a última Copa do Brasil.

Em meio aos problemas financeiros, o caráter esportivo também parece ter perdido valor ao longo do anos. Se outrora vencer o estadual já já foi suficiente para muitos clubes, atualmente a conquista regional não possui grande prestígio. Com o futebol ficando cada vez mais caro, os clubes mais poderosos do futebol brasileiro passaram a mirar prateleiras cada vez mais altas. Houve até o famoso apelido de “Paulistinha” de um dirigente do Palmeiras para desmerecer o título corintiano, em 2018.

O título estadual, conquistado costumeiramente lá para abril, passou a ser esquecido após pouquíssimas semanas. Até por isso não é difícil ver treinadores campeões sendo demitidos na sequência. No ano passado, Cuca venceu o Campeonato Mineiro com o Atlético. Em agosto, o clube demitiu o treinador. Ramón Diaz, campeão paulista com o Corinthians, foi demitido 21 dias depois de levantar o troféu.

Embora a desvalorização seja cada vez mais recorrente, todo torcedor gosta de ver seu clube levantando um troféu — sobretudo na disputa direta contra um rival local. Corinthians de 77, a “moeda de pé” do São Paulo de 1943, fim do jejum palmeirense em 1993, gol de barriga de Renato Gaúcho, falta de Petkovic nos acréscimos: não faltam exemplos de conquistas memoráveis para o torcedor.

Seja pela nostalgia ou ineficiência na adequação do calendário, os estaduais seguem vivos no calendário brasileiro.

Quando começa o Estadual

6 de janeiro – Catarinense, Cearense e Paranaense
10 de janeiro – Alagoano, Amazonense, Baiano, Brasiliense, Gaúcho, Goiano, Maranhense, Mato-Grossense, Mineiro, Paulista, Pernambucano, Piauiense, Potiguar e Sergipano
11 de janeiro – Carioca
12 de janeiro – Acreano
14 de janeiro – Capixaba
17 de janeiro – Paraibano, Rondoniense e Tocantinense
18 de janeiro – Sul-Mato-Grossense
24 de janeiro – Paraense e Roraimense
7 de fevereiro – Amapaense