
A operação realizada pelo Ministério Público, Vigilância Sanitária, Procon e forças policiais em Sena Madureira não revelou apenas irregularidades comerciais.
Revelou algo mais grave.
Revelou o tamanho do desrespeito com o consumidor.
As imagens são difíceis de ignorar: quase duas toneladas de alimentos impróprios para consumo, carne em estado de decomposição, câmaras frias insalubres, sangue escorrendo pelo chão, produtos vencidos, mercadorias sem procedência e, de forma alarmante, veneno de rato armazenado ao lado de leite.
Não se trata de um erro pontual.
Não se trata de uma falha isolada.
Trata-se de negligência.
E negligência, quando coloca vidas em risco, deixa de ser descuido e passa a ser crime.
O que mais preocupa é que nada disso surpreende a população.
Há anos os moradores reclamam.
Reclamam da qualidade duvidosa da carne.
De alimentos vencidos nas prateleiras.
Da falta de higiene em lanchonetes e restaurantes.
Do armazenamento inadequado em diversos estabelecimentos comerciais.
A sensação é antiga: paga-se caro, mas não se tem segurança.
Esse é um ponto que precisa ser dito com todas as letras.
Sena Madureira não é uma cidade onde se compra barato.
O consumidor paga valores altos — muitas vezes acima do que se vê em centros maiores — e, mesmo assim, não recebe o mínimo: respeito.
Quem trabalha o mês inteiro para colocar comida dentro de casa não pode correr o risco de levar doença para a família.
Quem compra leite para um filho não pode descobrir que o produto estava ao lado de substâncias tóxicas.
Quem entra em um supermercado precisa confiar no que está levando.
Confiança é a base de qualquer comércio.
Sem ela, o negócio deixa de ser serviço e vira exploração.
A operação desta semana deixa uma lição clara: fiscalização não é perseguição, é proteção.
Proteção ao consumidor honesto.
Proteção às famílias.
Proteção à saúde pública.
Comerciantes sérios não têm o que temer.
Mas aqueles que insistem em lucrar à custa do risco à vida das pessoas precisam entender que o tempo da impunidade acabou.
O YacoNews defende uma posição simples e inegociável:
vender alimento estragado, armazenar produto de forma insalubre ou expor a população a substâncias tóxicas não é má gestão.
É desrespeito.
E desrespeito com comida é desrespeito com a vida.
Que a operação não seja apenas um episódio.
Que seja um divisor de águas.
Que as fiscalizações continuem.
Que as denúncias aumentem.
E que o consumidor, finalmente, seja tratado como merece: com dignidade.
Porque o mínimo que se espera ao pagar por um produto é segurança — não perigo.






