O fundo Ares Management deu início ao processo para assumir o controle da Eagle Football Holdings (EFH), empresa que controla a SAF do Botafogo. Principal credor da holding, o grupo acionou uma cláusula de proteção ao crédito em um procedimento interno na justiça britânica, diante do agravamento da situação financeira e societária da Eagle.
A iniciativa prevê o afastamento de John Textor do comando operacional da holding e representa uma mudança relevante na estrutura de controle do grupo. Segundo apuração do jornal O GLOBO, o movimento da Ares foi motivado por uma reorganização interna promovida por Textor nesta semana, que resultou na saída de membros independentes da governança da Eagle.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Thiago Almada, Luiz Henrique e Savarino e Igor Jesus conquistaram a Libertadores pelo Botafogo em 2024Thiago Almada, Luiz Henrique e Savarino e Igor Jesus conquistaram a Libertadores pelo Botafogo em 2024 / Reprodução Foto: Vitor Silva/ Botafogo John Textor, presidente do LyonReprodução/John Textor, presidente do Lyon (França)
Voltar
Próximo
Leia Também
Esportes
“Vamos falar de nível técnico?”: Web resgata fala de Carlos Alberto após Botafogo vencer PSG
Esportes
“Hora de dar tchau”: classificado, Botafogo provoca Palmeiras com enxurrada de memes
Esportes
“Acabou o futebol por causa das redes sociais”, diz Renato ao se demitir do Fluminense
Esportes
“Fique em casa”: Porchat diz que torcedor não deve xingar em estádio e gera debate
A decisão foi interpretada pelos credores como um fator adicional de risco, levando à ativação de garantias contratuais já previstas para cenários de deterioração da governança ou descumprimento de obrigações.
Apesar da mudança no topo da holding, o impacto imediato sobre o Botafogo é limitado do ponto de vista societário. A Eagle permanece como controladora da SAF alvinegra, e a eventual troca no comando da holding não implica, automaticamente, alteração na gestão do clube.
Qualquer mudança na administração da SAF depende de decisão do Conselho ou do fim da liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que, atualmente, mantém congelada a composição do órgão e a estrutura de governança.
Nesse cenário, John Textor segue à frente do Botafogo neste primeiro momento, ainda que possa ser retirado do cargo futuramente, caso haja alteração no ambiente jurídico que sustenta sua permanência. Em contato com O GLOBO, o empresário afirmou que continua no controle da Eagle e que atua para reverter as medidas adotadas pelos credores.
Ele também informou que pretende realizar, ainda nesta semana, um aporte financeiro no Botafogo, com a intenção de proteger a SAF dos reflexos da crise internacional envolvendo a holding.
A Ares vinha concedendo flexibilizações contratuais para permitir que a Eagle reorganizasse suas finanças. Com o aumento das tensões internas e a ausência de uma solução definitiva para o endividamento, o fundo optou por assumir diretamente o controle da empresa.
A disputa, neste momento, está restrita à relação entre credor e devedor no âmbito da Eagle Football, sem interferência direta nas operações dos clubes controlados.
A possível retirada de Textor do comando da Eagle representa um enfraquecimento de sua estratégia de gestão multiclubes, centralizada na holding. Para a Ares, a medida é tratada como um passo para preservar o crédito investido e conduzir um processo de reorganização sob nova liderança.
No Botafogo, o novo contexto amplia as incertezas no curto prazo. Textor sustenta que o aporte emergencial prometido já teria sido aprovado pelo conselho da Eagle e seria fundamental para tentar derrubar o transfer ban imposto pela Fifa, decorrente da dívida com o Atlanta United e a MLS pela contratação de Almada. A punição impede o registro de novos jogadores.
A operação, no entanto, envolve um empréstimo com juros elevados e garantias atreladas à venda de atletas, o que tem gerado resistência interna na SAF. Com a Ares assumindo o comando da holding, aumentam as dúvidas sobre a viabilidade, o cronograma e a autorização definitiva desse aporte.
Caso a operação não se concretize nos moldes anunciados, o Botafogo pode enfrentar restrições adicionais de caixa e menor margem de atuação no mercado, em um momento de dependência direta de reforço financeiro para cumprir compromissos e sustentar o planejamento esportivo.






