A Globo claramente está tentando resolver um problema que ficou escancarado desde a saída de Boninho: o “Big Brother Brasil” não perde só um diretor quando ele sai. Perde um personagem. Nos últimos meses, o movimento é visível. A emissora passou a colocar Rodrigo Dourado mais à frente do projeto, mais exposto, mais reconhecível para o público. Não é só bastidor. É construção de imagem. A Globo parece decidida a transformar Dourado no novo “Big Boss” oficial do “Big Brother Brasil”.
Nada disso é por acaso
A participação recente de Dourado na novela “Dona de Mim”, entrevistando Kami, personagem de Giovanna Lancellotti, é simbólica. A cena não precisava existir, mas existiu para fixar um rosto, um nome, uma autoridade ligada ao “BBB”. É a Globo dizendo: “o comando continua aqui”.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Tadeu Schmidt e Rodrigo DouradoReprodução: Instagram/Rodrigo Dourado Foto: Portal Leo Dias Rodrigo Dourado e Tadeu Schmidt são flagrados em clique no shoppingReprodução: Instagram/Rodrigo Dourado Reprodução: Instagram/Rodrigo Dourado
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Só que aí mora o desafio
Boninho não era apenas o diretor. Ele era uma figura que impunha medo. Tinha fama de mandão, de chefe duro, de alguém que ninguém queria contrariar. Esse mito ajudava o programa. O “BBB” sempre foi um jogo de tensão, e o Big Boss parecia tão implacável quanto as regras.
Dourado, por enquanto, transmite outra coisa. Na participação na novela, ele pareceu visivelmente desconfortável, o que é absolutamente normal para alguém que não é ator. Não é um defeito. Mas o desconforto revela algo maior: falta ainda aquela aura de comando.
Dourado passa uma imagem mais acessível, mais gente boa, quase amigável demais para o papel que a Globo parece querer lhe dar. E isso pode ser um problema se a intenção for ocupar o mesmo espaço simbólico que Boninho deixou. O Big Boss precisa parecer alguém que manda, que decide, que não pede licença.
Potencial existe. Dourado conhece o formato, sabe fazer televisão e tem a confiança da emissora. Mas, se a Globo realmente quiser transformá-lo no novo rosto forte do “BBB”, ele vai precisar assumir uma postura mais firme. Mais líder. Mais chefe. Talvez até um pouco mais “bravo”. Porque o Boninho não só dirigia o jogo. Ele amedrontava. E, no “BBB”, o medo sempre fez parte do espetáculo.






