
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) será assinado no próximo sábado, 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, informou o ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez. O Paraguai ocupa atualmente a presidência rotativa do bloco sul-americano.
Segundo Ramírez, a decisão sobre a data foi tomada após consultas com os demais ministros de Relações Exteriores do Mercosul. A data já havia sido mencionada anteriormente pelo chanceler argentino, Pablo Quirno, em redes sociais.
“Assinaremos em 17 de janeiro no Paraguai um acordo histórico e o mais ambicioso entre ambos os blocos”, afirmou Ramírez. Pablo Quirno acrescentou que o tratado dará acesso preferencial da Argentina e dos países do Mercosul à União Europeia, terceira maior economia do mundo, com um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores, representando aproximadamente 15% do PIB global. Segundo ele, a UE eliminará tarifas para 92% das exportações do bloco e concederá acesso preferencial para outros 7,5%, beneficiando 99% das exportações agrícolas do Mercosul.
Histórico e detalhes do acordo
Após mais de 25 anos de negociações, o Conselho Europeu ratificou o acordo na última sexta-feira, durante reunião do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper) em Bruxelas, Bélgica. Embora as negociações tenham sido concluídas tecnicamente em 2019, o acordo ficou travado devido a divergências políticas, ambientais e comerciais, com pressão especial de setores agrícolas europeus, como os produtores da França, preocupados com a competição de produtos importados.
O tratado cria uma zona de livre comércio entre Mercosul e UE, facilitando o acesso de produtos brasileiros a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores europeus. A expectativa é que haja eliminação gradual de impostos de importação sobre produtos agrícolas e industriais, o que pode reduzir custos das exportações brasileiras e aumentar a competitividade das empresas.
Entre os setores que mais devem se beneficiar estão carne, açúcar, etanol, suco de laranja e grãos, com menos barreiras para entrada no mercado europeu. Além disso, o acordo oferece previsibilidade nas regras comerciais, o que pode atrair investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em infraestrutura, indústria e tecnologia.
O tratado envolve Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, do lado do Mercosul, e os 27 países da União Europeia. Juntos, os blocos representam um mercado de cerca de 780 milhões de consumidores e movimentação comercial bilionária.






