12 de julho de 2026

MP do Acre apura desmatamento de 54 hectares de floresta amazônica em Mâncio Lima

MP do Acre apura desmatamento de 54 hectares de floresta amazônica em Mâncio Lima
Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP/METSUL METEOROLOGIA / IMAGEM ILUSTRATIVA 

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou um procedimento preparatório para investigar a destruição de aproximadamente 54 hectares de vegetação nativa do bioma Amazônia no município de Mâncio Lima, no Acre. A apuração foi formalizada por meio da Portaria nº 138/2025, assinada pela promotora de Justiça Manuela Canuto de Santana Farhat.

A investigação teve início após a conversão de Notícias de Fato Criminal encaminhadas pela Procuradoria-Geral de Justiça, com base em Autos de Infração Ambiental lavrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). De acordo com os registros, o desmatamento ocorreu em duas áreas distintas, uma com cerca de 26,98 hectares e outra com aproximadamente 27,20 hectares, ambas localizadas em zonas de proteção ambiental.

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Para o Ministério Público, o dano ambiental é considerado significativo e exige não apenas a mensuração econômica dos prejuízos causados, mas também a apresentação de projetos técnicos para recuperação das áreas degradadas. Caso a recomposição ambiental não seja possível, as medidas podem ser convertidas em compensação financeira, conforme prevê a legislação.

O MPAC destaca que, nos casos de danos ao meio ambiente, a responsabilidade civil é objetiva, ou seja, independe da comprovação de culpa. Além disso, os responsáveis podem sofrer sanções nas esferas administrativa, civil e criminal, conforme determina a Constituição Federal.

No âmbito do procedimento, os investigados, identificados pelas iniciais M.A.S. e J.S.B., foram notificados para apresentar documentos que comprovem posse ou propriedade dos imóveis, licenças ambientais, Cadastro Ambiental Rural (CAR), eventual adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) e planos de recuperação das áreas afetadas.

O Ministério Público também solicitou ao Instituto de Meio Ambiente do Acre a realização de vistoria técnica no local, com o objetivo de verificar a existência de Áreas de Preservação Permanente, identificar os responsáveis pela supressão vegetal e analisar possíveis sobreposições entre imóveis rurais. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e o Cartório de Registro de Imóveis também foram acionados para fornecer informações técnicas e fundiárias.

A apuração busca reunir elementos suficientes para definir as medidas cabíveis, que podem incluir recomendações, a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a instauração de inquérito civil ou o arquivamento do procedimento.