7 janeiro 2026

“Não é democracia, é interesse econômico”, diz Daniel Zen sobre intervenção na Venezuela

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Durante entrevista concedida ao Programa Sorriso Show, na Rádio Avalanche FM, o ex-deputado estadual e professor universitário Daniel Zen fez uma análise crítica sobre o atual cenário geopolítico mundial, com foco na Venezuela e na atuação das grandes potências internacionais, especialmente os Estados Unidos.

Ao jornalista Sorriso Show, Zen destacou que o mundo passa por um redesenho das forças globais após o enfraquecimento da antiga União Soviética, com a ascensão da Rússia e, sobretudo, da China, que hoje exerce forte influência na região do Pacífico e da Oceania. Segundo ele, os Estados Unidos buscam retomar protagonismo global, mas já não o fazem sob a bandeira da defesa da democracia ou dos direitos humanos.

“Esse discurso é apenas um pretexto. Na prática, o que existe é a tentativa de impor, pela força bruta, interesses econômicos e geopolíticos”, afirmou.

Venezuela e interesses econômicos

Daniel Zen foi enfático ao afirmar que a Venezuela se tornou alvo estratégico por concentrar algumas das maiores reservas de petróleo, ouro, gás natural e minérios do mundo. Para ele, a ação norte-americana não tem como objetivo promover a democracia no país vizinho, mas sim garantir acesso às suas riquezas.

Apesar das críticas ao imperialismo, Zen também não poupou o regime venezuelano. Ele classificou o governo de Nicolás Maduro como autoritário, ressaltando que reeleições sucessivas e sem garantias democráticas configuram uma “ditadura disfarçada”.

“Ditadura não é boa, nem de direita, nem de esquerda. Mas o fato de um regime ser autoritário não dá direito a nenhuma potência estrangeira de invadir um país soberano”, pontuou.

Direito internacional e ONU

O ex-deputado lembrou que o direito internacional é claro ao estabelecer que uma invasão só pode ocorrer com autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, em caso de guerra declarada ou de agressão direta, o que, segundo ele, não se aplica ao caso venezuelano.

Zen também criticou o enfraquecimento do multilateralismo e das instâncias internacionais de negociação, afirmando que, nas últimas décadas, houve um esvaziamento proposital desses espaços em favor da lógica da força militar.

Sanções, crise humanitária e migração

Outro ponto abordado foi o impacto das sanções econômicas impostas à Venezuela. Para Daniel Zen, os embargos agravaram uma crise que já existia, resultando em uma migração em massa de mais de quatro milhões de venezuelanos, muitos deles vivendo hoje em situação de vulnerabilidade no Brasil e no Acre.

“Cria-se o problema, aprofunda-se a crise e depois se tenta posar de salvador da pátria. Isso é uma afronta ao direito internacional”, criticou.

Polarização e soberania

Ao comentar a polarização política no Brasil, Zen alertou para a incoerência de setores que condenam ditaduras de esquerda no exterior, mas defendem regimes autoritários de direita internamente. Para ele, celebrar intervenções estrangeiras é colocar em risco a própria soberania nacional.

“Se foi com a Venezuela hoje, amanhã pode ser com o Brasil, independentemente de quem esteja no poder”, advertiu.

Próximo debate

Ao final da entrevista, Daniel Zen agradeceu o convite e deixou aberta a possibilidade de retornar ao programa para discutir o cenário político do Acre, destacando que 2026 promete ser um ano eleitoral acirrado no estado, com múltiplas pré-candidaturas já em articulação.

A entrevista reforçou o tom analítico do Programa Sorriso Show, trazendo ao público de Sena Madureira uma reflexão aprofundada sobre política internacional, soberania e os impactos globais que também se refletem na realidade local.

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