A Confederação Brasileira de Futebol anunciou, nesta terça-feira (27/1), a profissionalização da arbitragem da Série A do Campeonato Brasileiro. A partir de março, os jogos da elite nacional passarão a ser conduzidos por um grupo com contratos firmados com a entidade, abrangendo árbitros centrais, assistentes e profissionais exclusivos do VAR.
Segundo a CBF, o investimento mensal será de R$ 1 milhão para custear a iniciativa, que contará com 72 integrantes. O modelo estabelece remuneração fixa, manutenção dos valores pagos por partida e bonificação vinculada ao desempenho. A entidade afirma que a medida busca assegurar estabilidade financeira e permitir dedicação integral às atividades de arbitragem.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Os rivais Coritiba e Athletico-PR lutam pelo título da Série B até a última rodada.Staff Images/CBF Darío Herrera comandará a decisão em Lima, com equipe de arbitragem majoritariamente da Argentina e suporte uruguaio no VARFoto: Cesar Greco/Palmeiras Arbitragem brasileira tem sido questionada cada vez mais. Foto: Reprodução
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O anúncio foi acompanhado de pronunciamento do presidente da CBF, Samir Xaud. “Esse é um movimento que carrega uma diferença fundamental em relação às outras mudanças que já implementamos, porque aqui estamos falando de pessoas que estão, literalmente, no centro do campo quando as partidas começam, mas que, por décadas, viveram na periferia das atenções da CBF, só ganhando relevância quando cometiam erros. E por que erraram? Primeiro, claro, por sermos seres humanos, todos nós erramos e continuaremos errando. Mas, muitas vezes, porque faltava apoio, faltava investimento, faltava preparo físico, faltava instrução técnica, faltava tranquilidade financeira, faltava apoio psicológico, tecnologia, saúde. Faltava uma trilha de desenvolvimento. Não mais”, disse o dirigente.
Na sequência, Xaud detalhou os pilares do projeto. “Uma categoria tão importante, os árbitros do melhor futebol do mundo, não poderia continuar assim. E essa gestão resolveu atacar esse problema já nos primeiros dias. Intensificamos treinamentos técnicos e encontros presenciais, ampliamos investimentos, aproximamos a arbitragem do centro das decisões e trouxemos tecnologia. O impedimento semiautomático já está sendo instalado em nossos estádios e, em breve, será uma realidade. A partir de agora, árbitros centrais, árbitros assistentes e árbitros de VAR da Série A do Campeonato Brasileiro, homens e mulheres, terão contrato com a CBF. Vão contar com remuneração fixa, cota por jogo e uma rede de apoio que incluirá preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo, além de avaliações periódicas, técnicas e físicas. Serão, de fato, profissionais”, completou.
Batizado de “Árbitros PRO”, o grupo de elite será composto por 20 árbitros principais, 40 assistentes e 12 especialistas em VAR. Foram selecionados todos os brasileiros que integram o quadro da Fifa, além de profissionais com maior número de atuações e avaliações positivas da CBF nas temporadas de 2024 e 2025.
A profissionalização vem acompanhada de exigências operacionais. Os árbitros terão rotina semanal de treinamentos, com planos individualizados de preparação física, e suporte permanente de psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas. Também receberão relógios inteligentes para monitoramento de sono e atividades físicas, cujos dados serão analisados pela área de Ciências do Esporte da CBF.
O projeto estabelece ainda quatro avaliações oficiais ao longo do ano, realizadas na Granja Comary, em Teresópolis, ou em outro centro de treinamento indicado pela entidade. Os testes incluirão componentes físicos e simulações de jogo. O não cumprimento das metas previstas implicará afastamento até a aprovação.
Os contratos terão natureza de prestação de serviços, o que permite, legalmente, o exercício de atividades paralelas. Na prática, porém, o desenho do programa — com remuneração fixa, bônus, rotina semanal e avaliações — incentiva a dedicação exclusiva. O regulamento prevê pelo menos dois rebaixamentos e duas promoções por temporada: os árbitros com pior desempenho não terão vínculo renovado, abrindo espaço para profissionais bem avaliados na Série B ou em outras competições nacionais.
No campo tecnológico, a CBF informou que o impedimento semiautomático, anunciado anteriormente, ainda não tem data definida para início. A entidade afirma que a implantação depende de treinamento e segurança operacional. Outras mudanças no VAR tradicional, no entanto, entrarão em vigor já nas primeiras rodadas do Brasileirão.
Entre elas, a cabine de revisão será deslocada para o lado oposto aos bancos de reservas, sempre que a estrutura do estádio permitir, com o objetivo de reduzir a pressão durante as análises. Além disso, após a checagem, o árbitro passará a anunciar a decisão ao público no retorno ao gramado, esclarecendo imediatamente o entendimento da marcação.






