
Um vídeo divulgado nesta sexta-feira (9) mostra o momento em que Renee Nicole Good, de 37 anos, mãe de três filhos, foi baleada por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) em Minneapolis, Minnesota. As imagens indicam que o registro pode ter sido feito pelo próprio agente que efetuou os disparos durante uma operação na quarta-feira (7).
Segundo o vídeo, Renee discutia com os agentes antes de ser atingida. Em certo momento, ao tentar desviar o carro após ser abordada, ela foi baleada à queima-roupa. O incidente aconteceu logo após a mulher acelerar o veículo na direção dos oficiais, de acordo com a versão apresentada pelo ICE.
No registro, Renee aparece falando diretamente com o agente que filmava: “Está tudo bem, cara. Eu não estou brava com você!”, tentando acalmar o oficial. A esposa de Renee também aparece no vídeo pedindo que o agente mostre o rosto e alertando sobre a placa do carro, reforçando que eram cidadãos americanos. Pouco depois, outro agente ordena que Renee saia do veículo, mas ela acelera e é baleada.

Após os disparos, Renee bateu o carro contra um poste. O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que o agente atirou porque a mulher teria avançado com o carro contra os oficiais. A secretária do DHS, Kristi Noem, classificou a ação de Renee como um ato de “terrorismo doméstico” e disse que o Departamento de Justiça investigaria o caso nesse contexto.
O caso gerou protestos em Minneapolis e em outras cidades dos EUA, com manifestantes cobrando a saída do ICE da região. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a atuação dos agentes federais: “Agentes de imigração estão causando caos em nossa cidade. Estamos ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados.”

Segundo informações de autoridades, esta é pelo menos a quinta morte registrada em operações do ICE desde 2024 em diferentes estados americanos. Minneapolis e a vizinha St. Paul estão em estado de alerta desde o anúncio, na terça-feira (6), de uma ofensiva migratória na região envolvendo cerca de 2.000 agentes, em parte ligada a investigações sobre supostas fraudes envolvendo residentes de origem somali.
O incidente reacende críticas à atuação do ICE, que já enfrenta denúncias de prisões e deportações arbitrárias, e levanta questionamentos sobre o uso da força em operações de imigração nos Estados Unidos.






