A polêmica envolvendo a suposta exploração irregular de um camarote no Morumbi ganhou contornos ainda mais delicados. De acordo com a jornalista Marília Ruiz, a intermediária Rita de Cássia Adriana Prado, conhecida como Adriana Prado, vendeu o áudio que deu origem ao escândalo a um grupo de opositores políticos do São Paulo, entre eles conselheiros do clube.
A jornalista relata que teve acesso a um áudio de aproximadamente 11 minutos no qual o ex-conselheiro Denis Ormrod negocia a compra da gravação. Na conversa, ainda segundo a jornalista, há discussão sobre a possibilidade de simular o furto de um telefone celular que armazenaria o material.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Morumbis, o estádio do São PauloMorumbis, o estádio do São Paulo, é palco do confronto contra o Flamengo. Reprodução/SPFC Salão nobre do Morumbis (Reprodução) Presidente do São Paulo Julio CasaresReprodução/Instagram: @sãopaulofc Reprodução
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A apuração também aponta a existência de dois cheques no valor de R$ 100 mil cada, que teriam sido entregues por Denis Ormrod a Adriana Prado como parte do acordo. Além disso, há um comprovante de Pix de R$ 75 mil em nome de Frederico S. A. Grilo, descrito no áudio como alguém ligado ao conselheiro Vinicius Pinotti. Ainda conforme a jornalista, Pinotti e o conselheiro Fábio Mariz teriam participado do processo de obtenção do áudio.
Denis Ormrod confirmou a negociação e afirmou que foi procurado por Adriana. “Foi ela quem me procurou, querendo vender documentos e informações sobre coisas que estavam acontecendo no São Paulo. Com o meu dinheiro, faço o que quiser. Pelo São Paulo e pela torcida, faço tudo mesmo”, disse o ex-conselheiro, segundo relato da jornalista.
O áudio em questão, conforme detalhado por Marília Ruiz, é uma ligação telefônica gravada por Adriana entre Douglas Schwartzmann, então diretor-adjunto das categorias de base, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos. Na conversa, os dois classificam o camarote como clandestino e admitem que o negócio não ocorreu de forma “normal”. Após a repercussão, ambos pediram afastamento dos cargos.
A jornalista informa ainda que, depois da venda do material, surgiram divergências sobre os valores envolvidos e sobre a estratégia de simular o roubo do aparelho telefônico. A partir desse momento, Adriana Prado passou a adotar uma postura de defesa dos dirigentes do São Paulo.
Uma carta envidada por Adriana a Mara Casares, ex-esposa do presidente do clube, Julio Casares também está relatado na apuração. No documento, Adriana nega irregularidades na venda do camarote e sustenta que o áudio foi adquirido e divulgado fora de contexto por opositores políticos, linha semelhante à adotada publicamente por Mara.
Na mesma carta, Adriana afirma suspeitar que terceiros — citando nominalmente Denis Ormrod, Vinicius Pinotti e o médico Fábio Mariz — teriam atuado com a intenção de causar prejuízo político ao presidente do São Paulo, sem sua autorização ou consentimento.






