
A Polícia Civil do Acre concluiu a primeira fase do inquérito sobre a morte do ativista cultural e servidor do Ministério Público do Acre (MP-AC), Moisés Ferreira Alencastro e Souza, de 59 anos, e indiciou dois suspeitos pelo crime: Antônio de Sousa Morais, de 22 anos, e Nataniel Oliveira de Lima, de 23. Eles foram acusados de homicídio e furto qualificados em concurso material.
Moisés, que também era advogado, colunista social e atuava no MP-AC desde 2006, foi encontrado morto no dia 22 de dezembro. Seu carro foi localizado abandonado na Estrada do Quixadá, na zona rural de Rio Branco. Os suspeitos foram presos três dias depois, no dia 25 de dezembro, na capital.
O coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alcino Souza, informou ao g1 que o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário na terça-feira (30). Segundo ele, o laudo cadavérico apontou que a vítima foi morta com cerca de quatro facadas.
“Quando o acusado está preso, temos prazo de 10 dias para concluir o inquérito e encaminhar. Como representamos pelas prisões preventivas, encaminhei já o primeiro resultado para a Justiça. Algumas perícias ainda estão pendentes, mas servirão para trazer detalhes sobre a motivação, não sobre autoria”, explicou o delegado.
Segundo Alcino Souza, a principal linha de investigação aponta para um crime passional. Ele reforçou que não pode fornecer mais detalhes por se tratar de processo em segredo de Justiça. “Trabalhamos com hipótese de crime passional. Não creio que tenha relação com ódio, pois um dos suspeitos já era da intimidade da vítima e sabia que ele era homossexual”, disse.
Confissão e prisões
Antônio foi detido na manhã do dia 25 de dezembro em Rio Branco, após ter ficado foragido desde a descoberta do corpo, localizado dentro de um apartamento no bairro Morada do Sol.
Nataniel, o segundo suspeito, foi preso no final da tarde do mesmo dia, no bairro Eldorado, e inicialmente conduzido ao DHPP, onde prestou depoimento, antes de ser levado à Delegacia de Flagrantes (Defla). Ambos confessaram o crime, passaram por audiência de custódia em 26 de dezembro, tiveram as prisões mantidas e foram encaminhados ao Complexo Prisional de Rio Branco.
Inicialmente, o caso chegou a ser tratado como latrocínio, mas a investigação mudou de direção ao constatar que não havia sinais de arrombamento no imóvel. Durante apurações, foram encontrados objetos de Moisés em endereços ligados aos suspeitos, incluindo documentos, controles de veículo e apartamento, além de roupas com vestígios de sangue. A polícia também investiga tentativa de uso de cartões bancários da vítima após o homicídio.
O celular de Moisés ainda não foi localizado. “Fizemos buscas em todos os locais indicados e não encontramos. Sobre a participação de cada suspeito, não posso passar detalhes, mas confirmo que ambos concorreram para o resultado do crime”, resumiu o delegado.







