13 de julho de 2026

Promotor defende indenização e reparação histórica a vítimas de grupo de extermínio no Acre

Promotor defende indenização e reparação histórica a vítimas de grupo de extermínio no Acre
Imagem ilustrativa

O promotor de Justiça Thalles Ferreira Costa defendeu a necessidade de uma reparação histórica e da indenização às vítimas dos crimes praticados por um grupo de extermínio que atuou no Acre durante a década de 1990, período marcado por graves violações de direitos humanos. A manifestação consta na Portaria nº 01/2026/PEDDHC, que instaurou um Procedimento Preparatório no âmbito do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC).

O objetivo do procedimento é apurar a atuação do grupo, esclarecer os fatos ocorridos e identificar as responsabilidades do Estado. De acordo com a portaria, a iniciativa busca levantar informações detalhadas sobre os crimes, além de verificar se já houve investigações anteriores, inclusive conduzidas pelo próprio MPAC, relacionadas às ações do grupo de extermínio.

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Entre os episódios citados está o chamado “crime da motosserra”, classificado no documento como um ato de extrema violência, brutalidade e desumanidade, considerado uma das marcas mais graves da história recente do Acre. Para o promotor, esse e outros casos evidenciam a gravidade das violações cometidas à época.

Segundo a avaliação do Ministério Público, as vítimas eram majoritariamente pessoas em situação de vulnerabilidade social, incluindo adultos e crianças. Muitas delas teriam sido mortas ou perseguidas apenas por suspeitas de envolvimento em crimes ou por serem consideradas “indesejáveis” a partir de critérios discriminatórios. Testemunhas que denunciaram a atuação do grupo também teriam sofrido ameaças e perseguições.

O documento aponta que os fatos configuram grave violação à dignidade da pessoa humana e provocaram dano moral coletivo à sociedade acreana. Na visão do MPAC, houve falha do Estado do Acre no dever de garantir proteção à população, o que resultou na quebra da confiança e da expectativa legítima da sociedade em relação às instituições públicas.

Além da responsabilização dos envolvidos, o promotor defende a implementação de políticas públicas voltadas à memória e à verdade. Ele destaca que o reconhecimento histórico das violações é essencial para o fortalecimento da democracia e da justiça. Entre as medidas sugeridas estão a indenização das vítimas indiretas e um pedido formal de desculpas por parte do Estado, como forma de reconhecer os crimes e promover uma reparação, ainda que simbólica.

Com a abertura do Procedimento Preparatório, foi determinada a expedição de ofício à Procuradoria-Geral de Justiça para verificar a existência de levantamentos ou investigações anteriores sobre o caso, que deverão ser anexados aos autos. Também será realizada uma pesquisa jornalística aprofundada sobre os fatos, cujo material será incorporado ao procedimento. A portaria será publicada no Diário Eletrônico do MPAC.

Com informações do Ac24horas
Por Marcos Henrique.