Início / Versão completa
Geral

Veneno de marimbondo vira arma contra o Alzheimer em pesquisa da UnB

Por Metrópoles 02/01/2026 01:27
Publicidade

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), estudam o veneno de marimbondo como uma possível forma de frear o avanço do Alzheimer.

Publicidade

A substância não cura a doença, mas pode ajudar a evitar que o cérebro continue se deteriorando, principalmente se for usada no início do tratamento.

A descoberta partiu de uma observação simples da natureza. A picada do marimbondo é capaz de paralisar pequenas presas sem destruir o sistema nervoso do animal atacado. Isso indicava que a substância age de forma pontual, interferindo na comunicação entre os neurônios, sem matar as células.

A partir dessa percepção, a professora Márcia Mortari, do Instituto de Biologia da UnB, passou a investigar quais componentes do veneno eram responsáveis por esse efeito. Após anos de pesquisa, os cientistas conseguiram isolar uma molécula com potencial terapêutico, que deu origem à Octovespina.

Publicidade

4 imagensFechar modal.1 de 4

Pesquisa da UnB investiga substância derivada do veneno de marimbondo que pode ajudar a retardar o avanço do Alzheimer

Arquivo pessoal2 de 4

Veneno de marimbondo é analisado em laboratório como possível aliado no tratamento do Alzheimer

Arquivo pessoal3 de 4

Estudo não fala em cura, mas aponta que composto pode proteger o cérebro e preservar a memória nas fases iniciais da doença

Arquivo pessoal4 de 4

Pesquisadores da UnB. Apesar dos resultados promissores, o estudo ainda está em fase experimental e não há previsão de uso em humanos

Arquivo pessoal

Apesar dos resultados promissores, o estudo ainda está em fase experimental e não há previsão de uso em pessoas.

“Esse é um processo longo. Ainda precisamos confirmar a segurança e a eficácia da substância antes de avançar para testes em humanos”, diz Luana Camargo.

Segundo a pesquisadora, podem ser necessários cerca de 10 anos para que os compostos derivados do veneno de marimbondo avancem para etapas mais avançadas da pesquisa.

Leia também

O que acontece no cérebro no Alzheimer

No Alzheimer, uma proteína tóxica se acumula no cérebro e atrapalha a comunicação entre os neurônios. Para tentar se defender, o organismo provoca uma inflamação, que acaba piorando o problema.

Com o tempo, as conexões entre as células cerebrais se perdem e os neurônios começam a morrer, causando perda de memória e confusão mental.

Segundo Luana Camargo, do Instituto de Psicologia da UnB, os remédios atuais atuam principalmente tentando reduzir essa proteína, mas não conseguem impedir que o cérebro continue se degradando.

“O que observamos é que a Octovespina atua protegendo os neurônios e diminuindo a inflamação no cérebro. Ela não cura o Alzheimer, mas ajuda a retardar a progressão da doença”, explica a pesquisadora.

Nos testes com camundongos, os animais tratados com a substância apresentaram menos esquecimento. “Isso indica que o composto ajuda a manter o funcionamento do cérebro por mais tempo, especialmente quando usado nas fases iniciais da doença”, afirma Luana Camargo.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.