
O agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, levou um susto ao perfurar um poço artesiano em seu quintal, no Sítio Santo Estevão, zona rural de Tabuleiro do Norte. A intenção era simples: encontrar água para abastecer a casa e os animais. No entanto, a cerca de 30 a 40 metros de profundidade, o que saiu do solo foi um líquido escuro, com cheiro forte semelhante a óleo e asfalto.
A perfuração começou em novembro de 2024. Diante do material inesperado, Sidrônio interrompeu o trabalho e tentou abrir outro ponto no terreno, mas não teve sucesso. Meses depois, ao retornar ao primeiro poço com o filho, Saullo Santiago, surgiu a suspeita de que o líquido poderia ter características semelhantes às do petróleo.
Saullo, que já trabalhou em laboratório de asfalto, realizou testes iniciais e identificou propriedades compatíveis com hidrocarbonetos, como alta viscosidade, coloração escura e odor característico. A família então buscou apoio técnico no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.
No IFCE, o engenheiro químico Adriano Lima analisou a amostra. Apesar de a profundidade ser considerada incomum para a Bacia Potiguar, os exames físicos e químicos confirmaram a presença de hidrocarbonetos. Para aprofundar a investigação, a instituição também contou com a colaboração da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Mossoró.
Os resultados indicaram que o material possui características semelhantes às do petróleo, mas ainda não há confirmação de que exista uma jazida economicamente viável no local. Especialistas alertam que pode se tratar de uma ocorrência limitada ou superficial, sem potencial de exploração comercial.

O caso foi comunicado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, conforme determina a legislação, já que os recursos minerais pertencem à União.
Segundo Adriano Lima, qualquer tentativa de perfuração sem acompanhamento técnico pode trazer riscos ambientais, como a contaminação do lençol freático, além de possíveis implicações legais.
A família afirma que mantém cautela diante da descoberta. “Ele queria água para os animais e plantações. É uma região muito difícil para encontrar água”, relatou Saullo.
O caso segue sob análise de autoridades e instituições científicas, enquanto os moradores aguardam novos laudos sem criar expectativas sobre uma possível exploração.






