O diagnóstico revelado pela influenciadora e comediante Evelin Camargo chamou a atenção do público ao expor um tipo raro de câncer relacionado a implantes de silicone. A artista contou nas redes sociais que procurou atendimento médico após notar um aumento repentino em uma das mamas, alteração que levou à descoberta de um linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido como BIA-ALCL. Diante da repercussão do caso e das dúvidas que surgiram a partir do relato de Evelin, o Portal LeoDias ouviu a médica oncologista Dra. Sabina Aleixo, que explicou o que é esse tipo de linfoma, como ele se diferencia do câncer de mama e quais sinais merecem atenção.
Segundo a especialista, o BIA-ALCL não se trata de um câncer de mama clássico. “O linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL) é um tipo raro de linfoma — ou seja, um câncer do sistema linfático — que se desenvolve, na maioria das vezes, na cápsula fibrosa que o corpo forma ao redor do implante mamário. Ele é diferente do câncer de mama clássico, que se origina nas células da glândula mamária (ductos ou lóbulos). O BIA-ALCL não surge do tecido mamário propriamente dito, mas da resposta inflamatória crônica ao redor da prótese”, explicou a médica especialista.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Evelin CamargoFoto: Reprodução/Instagram Mulher é suspeita de fugir sem pagar conta do hospitalFoto/Pexels Prótese mamáriaReprodução drpiva.com.br
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A oncologista destaca que o principal sinal de alerta é o aumento súbito e assimétrico da mama, geralmente provocado pelo acúmulo de líquido ao redor da prótese, conhecido como seroma tardio. No entanto, outros sintomas também devem ser investigados, como: “O aumento súbito e assimétrico da mama, geralmente causado por acúmulo de líquido (seroma), é o sinal mais comum e típico.
Outros sinais que merecem atenção incluem endurecimento da mama, dor persistente, sensação de peso, assimetria recente, presença de nódulos na cápsula ou na axila e, mais raramente, alterações cutâneas locais. Qualquer mudança tardia, anos após a cirurgia, deve ser avaliada”
De acordo com Sabina Aleixo, o seroma tardio é considerado um achado fora do padrão porque o acúmulo de líquido costuma ocorrer apenas nos primeiros meses após a cirurgia. “Após a cirurgia de implante, pequenos seromas podem ocorrer nos primeiros meses e fazem parte do processo de cicatrização. O surgimento de líquido ao redor da prótese muitos anos depois da cirurgia não é esperado. Por isso, esse achado é considerado atípico e exige investigação, já que pode estar associado a processos inflamatórios, infecciosos ou, raramente, ao BIA-ALCL”
“O primeiro passo costuma ser a avaliação por exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, para confirmar a presença de líquido ou alterações na cápsula. Na presença de seroma tardio, é indicada a punção guiada por imagem para coleta do líquido. Esse material deve ser analisado por citologia e imuno-histoquímica, exames fundamentais para confirmar ou descartar o diagnóstico de BIA-ALCL. Em alguns casos, a cápsula retirada cirurgicamente também é analisada.”, explicou.
A médica explica ainda que a maioria dos casos descritos está associada a implantes com superfície texturizada, enquanto próteses lisas apresentam risco extremamente baixo, de acordo com os dados disponíveis. O tempo de exposição ao implante também é um fator relevante, já que a condição costuma surgir após vários anos.
“A grande maioria dos casos descritos está associada a implantes com superfície texturizada. Implantes lisos apresentam risco extremamente baixo, próximo de zero nos dados disponíveis até o momento. O risco parece estar relacionado à textura da prótese e ao tempo de exposição, geralmente após vários anos do implante.”, contou.
Ainda de acordo com a especialista, quando o diagnóstico é feito precocemente e a doença está restrita à cápsula que envolve a prótese, a retirada completa do implante e da cápsula costuma ser suficiente para o tratamento.
“Quando o BIA-ALCL é diagnosticado precocemente e está restrito à cápsula ao redor da prótese, a retirada completa do implante e da cápsula (capsulectomia total) costuma ser curativa. Nessa fase, a doença ainda não se disseminou, e a cirurgia adequada remove todo o tecido comprometido.”
“Tratamentos adicionais, como quimioterapia ou outras abordagens oncológicas, são indicados quando há sinais de doença mais avançada, como envolvimento de linfonodos, formação de massas sólidas, invasão de tecidos adjacentes ou disseminação sistêmica.
Esses casos são menos frequentes, mas exigem acompanhamento oncológico especializado”, completou.
Após o tratamento, o acompanhamento médico é essencial e inclui avaliações clínicas regulares e, quando indicado, exames de imagem. Segundo a oncologista, o prognóstico do BIA-ALCL é bastante favorável quando a doença é identificada em fase inicial. “Após a cirurgia, o acompanhamento inclui avaliações clínicas regulares e, em alguns casos, exames de imagem periódicos. Quando diagnosticado precocemente e tratado adequadamente, o prognóstico do BIA-ALCL é muito bom, com altas taxas de controle da doença e sobrevida a longo prazo.”
Por fim, Sabina Aleixo reforça que o diagnóstico não deve gerar medo generalizado. Trata-se de uma condição extremamente rara, e a maioria das mulheres com implantes mamários jamais desenvolverá o linfoma.
“A principal orientação é observar o próprio corpo e valorizar mudanças tardias, como aumento repentino da mama, assimetria nova, dor persistente ou endurecimento. Consultas regulares com o médico assistente e exames de imagem quando indicados fazem parte do cuidado. Na presença de qualquer alteração fora do habitual, a avaliação médica deve ser procurada”, finalizou.






