9 de julho de 2026

Atriz Jussara Calmon fala da emoção de voltar à Beija-Flor: “A Sapucaí nunca vira rotina”

Atriz Jussara Calmon fala da emoção de voltar à Beija-Flor: “A Sapucaí nunca vira rotina”
Atriz Jussara Calmon fala da emoção de voltar à Beija-Flor: “A Sapucaí nunca vira rotina”

Após um período afastada do Carnaval, a atriz Jussara Calmon está de volta à Beija-Flor de Nilópolis, escola com a qual mantém uma relação de mais de quatro décadas. Em entrevista ao portal LeoDias, ela definiu o retorno como um reencontro com a própria história e com suas raízes no Carnaval. “A Beija-Flor não é apenas uma escola de samba para mim, ela é casa, é família, é raiz. Foi ali que cresci como mulher, como artista e como ser humano. Voltar depois de um tempo afastada é como abraçar um amor antigo que nunca se perdeu, apenas aguardou o momento certo para florescer novamente”, afirmou.

Com uma carreira marcada pelo cinema nacional, especialmente nos anos 1980, e por novelas da Globo de grande repercussão na televisão, Jussara avalia que o Carnaval sempre caminhou lado a lado com sua formação artística. A experiência na Sapucaí, segundo ela, contribuiu para desenvolver disciplina, presença cênica e uma conexão verdadeira com o público. Os elementos também moldaram sua trajetória profissional, além da projeção internacional associada ao antigo affair com o ator ítalo-americano Robert De Niro. “A Avenida é uma grande escola de interpretação, resistência e emoção real. Tudo isso contribuiu diretamente para minha trajetória artística, porque me formou como uma artista completa”, resumiu.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Jussara Calmon quando era destaque de chãoReprodução: Instagram/@jussaracalmon_ Jussara Calmon está de volta à Beija-Flor de NilópolisDivulgação: AF Assessoria & Produções Jussara CalmonFoto: Douglas Félix Jussara Calmon em “Chiquititas”Reprodução: SBT Jussara Calmon foi uma das protagonistas do primeiro filme de sexo explícito lançado no Brasil, “Coisas eróticas”, de 1981Reprodução: Portal Mulheres do Cinema Brasileiro

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Segundo Jussara, o afastamento foi motivado por mudanças internas na escola e pelo impacto da pandemia, período em que chegou a desfilar por dois anos na Vila Isabel, mas sem nunca romper o vínculo emocional com a azul e branco de Nilópolis.

Ao comparar diferentes fases da agremiação e da própria trajetória, a atriz reconhece a modernização da Beija-Flor, que incorporou novas linguagens e tecnologias sem perder a essência competitiva. Ela também destaca sua própria transformação ao longo dos anos. “Hoje desfilo com mais consciência, serenidade e orgulho da minha trajetória. Antes, a entrega era muito física e movida pela juventude; agora, ela é emocional, espiritual e simbólica”, disse, relembrando que iniciou sua caminhada no Carnaval como destaque de chão.

Conforme Jussara, na época o termo “musa” ainda não era utilizado. A atriz vê com bons olhos a evolução do espaço feminino na Avenida, especialmente para mulheres mais velhas. Para ela, o protagonismo da maturidade no samba é um avanço necessário. “Somos memória viva do Carnaval. E mais do que isso: somos prova de que a mulher na terceira idade pode, sim, estar plena, saudável, ativa e cheia de energia. A Avenida também é nosso lugar”, defendeu, levantando o debate sobre o etarismo ainda presente na festa.

Mesmo após mais de 40 anos desfilando, a emoção segue intacta. Jussara contou que ainda sente frio na barriga ao pisar na Sapucaí e faz questão de participar dos ensaios técnicos e de rua, vivendo o Carnaval em sua essência. Neste ano, a Beija-Flor já realizou um ensaio técnico no dia 1º de fevereiro e terá outro no dia 8, antes do desfile oficial marcado para 16 de fevereiro, véspera do aniversário da atriz. A coincidência, segundo ela, é um sinal positivo. “Mesmo hoje, atravesso a Avenida sambando durante o ensaio técnico, sentindo cada batida do samba-enredo. Participo dos ensaios de rua e faço questão de viver o Carnaval em sua essência. Inclusive, tenho um desejo muito grande de poder desfilar também no chão, junto à comunidade, mostrando que a mulher da terceira idade pode, sim, ocupar todos os espaços”, afirmou. De volta à Avenida, Jussara Calmon reafirma seu lugar na história do Carnaval carioca, unindo memória, representatividade e paixão pela festa que ajudou a construir.