Após um período afastada do Carnaval, a atriz Jussara Calmon está de volta à Beija-Flor de Nilópolis, escola com a qual mantém uma relação de mais de quatro décadas. Em entrevista ao portal LeoDias, ela definiu o retorno como um reencontro com a própria história e com suas raízes no Carnaval. “A Beija-Flor não é apenas uma escola de samba para mim, ela é casa, é família, é raiz. Foi ali que cresci como mulher, como artista e como ser humano. Voltar depois de um tempo afastada é como abraçar um amor antigo que nunca se perdeu, apenas aguardou o momento certo para florescer novamente”, afirmou.
Com uma carreira marcada pelo cinema nacional, especialmente nos anos 1980, e por novelas da Globo de grande repercussão na televisão, Jussara avalia que o Carnaval sempre caminhou lado a lado com sua formação artística. A experiência na Sapucaí, segundo ela, contribuiu para desenvolver disciplina, presença cênica e uma conexão verdadeira com o público. Os elementos também moldaram sua trajetória profissional, além da projeção internacional associada ao antigo affair com o ator ítalo-americano Robert De Niro. “A Avenida é uma grande escola de interpretação, resistência e emoção real. Tudo isso contribuiu diretamente para minha trajetória artística, porque me formou como uma artista completa”, resumiu.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Jussara Calmon quando era destaque de chãoReprodução: Instagram/@jussaracalmon_ Jussara Calmon está de volta à Beija-Flor de NilópolisDivulgação: AF Assessoria & Produções Jussara CalmonFoto: Douglas Félix Jussara Calmon em “Chiquititas”Reprodução: SBT Jussara Calmon foi uma das protagonistas do primeiro filme de sexo explícito lançado no Brasil, “Coisas eróticas”, de 1981Reprodução: Portal Mulheres do Cinema Brasileiro
Voltar
Próximo
Leia Também
Rio de Janeiro
Quem nunca? Ex-rainha da Beija-Flor explica top arrebentado em ensaio de rua
Rio de Janeiro
Gabriel David manda recado para presidente da Beija-Flor em meio à polêmica
Carnaval
Brunna Gonçalves dá adeus ao posto de musa da Beija-Flor de Nilópolis
Carnaval
Brunna Gonçalves vibra com posto de musa da Grande Rio e cita maternidade: “Arrepiada”
Segundo Jussara, o afastamento foi motivado por mudanças internas na escola e pelo impacto da pandemia, período em que chegou a desfilar por dois anos na Vila Isabel, mas sem nunca romper o vínculo emocional com a azul e branco de Nilópolis.
Ao comparar diferentes fases da agremiação e da própria trajetória, a atriz reconhece a modernização da Beija-Flor, que incorporou novas linguagens e tecnologias sem perder a essência competitiva. Ela também destaca sua própria transformação ao longo dos anos. “Hoje desfilo com mais consciência, serenidade e orgulho da minha trajetória. Antes, a entrega era muito física e movida pela juventude; agora, ela é emocional, espiritual e simbólica”, disse, relembrando que iniciou sua caminhada no Carnaval como destaque de chão.
Conforme Jussara, na época o termo “musa” ainda não era utilizado. A atriz vê com bons olhos a evolução do espaço feminino na Avenida, especialmente para mulheres mais velhas. Para ela, o protagonismo da maturidade no samba é um avanço necessário. “Somos memória viva do Carnaval. E mais do que isso: somos prova de que a mulher na terceira idade pode, sim, estar plena, saudável, ativa e cheia de energia. A Avenida também é nosso lugar”, defendeu, levantando o debate sobre o etarismo ainda presente na festa.
Mesmo após mais de 40 anos desfilando, a emoção segue intacta. Jussara contou que ainda sente frio na barriga ao pisar na Sapucaí e faz questão de participar dos ensaios técnicos e de rua, vivendo o Carnaval em sua essência. Neste ano, a Beija-Flor já realizou um ensaio técnico no dia 1º de fevereiro e terá outro no dia 8, antes do desfile oficial marcado para 16 de fevereiro, véspera do aniversário da atriz. A coincidência, segundo ela, é um sinal positivo. “Mesmo hoje, atravesso a Avenida sambando durante o ensaio técnico, sentindo cada batida do samba-enredo. Participo dos ensaios de rua e faço questão de viver o Carnaval em sua essência. Inclusive, tenho um desejo muito grande de poder desfilar também no chão, junto à comunidade, mostrando que a mulher da terceira idade pode, sim, ocupar todos os espaços”, afirmou. De volta à Avenida, Jussara Calmon reafirma seu lugar na história do Carnaval carioca, unindo memória, representatividade e paixão pela festa que ajudou a construir.