Durante décadas, falar de Carnaval era, quase automaticamente, falar de samba, marchinhas e axé. Esses ritmos seguem como pilares da festa, especialmente nas escolas de samba e nos blocos tradicionais. No entanto, nos últimos anos, o Carnaval de Rua passou por uma transformação profunda, refletindo mudanças sociais, culturais e de consumo musical no Brasil.
Hoje, a folia deixou de ser associada a um único som ou estética. Pop, rock, funk, sertanejo, rap, MPB, música eletrônica e até repertórios internacionais passaram a ocupar o espaço carnavalesco. Não como exceção, mas como parte estruturante da festa.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Prefeitura do Rio de Janeiro rebatiza trajeto dos megablocos para Circuito de Blocos de Carnaval de Rua Preta GilFoto: Roberto Filho / Brazil News Calvin Harris é confirmado em bloco de carnaval em SP. (Reprodução: Instagram) Carol Biazin anuncia bloco de Carnaval – (Reprodução: Instagram) Pedro Sampaio confirma bloco de carnaval. (Reprodução: Denilson Santos e João Dias/AgNews) Michel Teló em seu bloco de carnaval. (Reprodução: Instagram)
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Pop romântico, eletrônico e novos públicos na rua
Um dos exemplos mais emblemáticos dessa virada é a presença de Carol Biazin, nome de destaque do pop romântico nacional, que aposta na energia carnavalesca para levar sua estética e repertório às ruas. A proposta dialoga com um público que, até pouco tempo, não se via representado na folia tradicional.
Outro movimento que chama atenção é a chegada de Calvin Harris, um dos DJs mais populares do mundo, ao Carnaval brasileiro. O artista norte-americano tem presença confirmada em um bloco temático em São Paulo, ao lado de Nattan e Xand Avião, misturando música eletrônica, forró e axé. A união improvável traduz bem o espírito do Carnaval atual: menos rótulos e mais experiências.
Rio de Janeiro: do rock aos Beatles em ritmo de samba
No Rio de Janeiro, a diversidade também é palavra de ordem. Blocos apostam na mistura de pop, rock, funk e brasilidades, atraindo foliões que querem fugir do óbvio sem abrir mão da tradição carnavalesca.
A diversidade sonora se manifesta na cidade também na forma como repertórios tradicionais e contemporâneos dialogam com a folia. Há espaço para releituras de clássicos do rock em ritmo carnavalesco, assim como para propostas que misturam funk, pop e axé, além de festas temáticas que reforçam a presença e a importância do público LGBTQIA+ na construção de um Carnaval de Rua cada vez mais plural e representativo.
Mesmo com tantas novidades, os blocos tradicionais seguem firmes. Cordão do Bola Preta e Carmelitas continuam como símbolos da resistência e da memória do Carnaval do Rio, convivendo em harmonia com as novas propostas.
São Paulo aposta na diversidade como marca registrada
Em São Paulo, a programação de 2026 reforça o discurso da diversidade como identidade da cidade. O Bloco do Abrava, de Tiago Abravanel, transita entre pop, MPB e hits populares, enquanto o Bloco Casa Comigo aposta na mistura entre pop contemporâneo e marchinhas.
A capital paulista também abre espaço para blocos de rock e música alternativa, especialmente no pré-Carnaval, além de propostas irreverentes como o Bregsnice, que celebra ritmos bregas e populares com humor e nostalgia. Para quem busca uma experiência mais instrumental e tradicional, a Espetacular Charanga do França mantém o samba como protagonista, enquanto a presença de Calvin Harris em um bloco temático reforça a abertura da cidade para a música eletrônica em meio à folia.
Rap e hip-hop ganham espaço em Belo Horizonte
Belo Horizonte também entra no mapa da diversidade carnavalesca com a estreia do bloco do rapper Hungria, que leva o rap e o hip-hop para o centro da festa em 2026. A iniciativa marca mais um passo importante na ampliação de estilos musicais presentes no Carnaval de Rua brasileiro.
Com centenas de blocos espalhados por diferentes cidades, o Carnaval confirma uma mudança de paradigma: a festa deixa de ser associada a um único som ou estética e passa a refletir a pluralidade cultural do Brasil.
Ao abraçar o pop romântico, o eletrônico, o sertanejo, o funk, o rock, a MPB e o rap, o Carnaval se reafirma como um espaço de encontro, onde diferentes públicos, gerações e identidades celebram juntos, provando que a maior festa popular do país é, acima de tudo, um espelho da diversidade brasileira.






