6 fevereiro 2026

Caso Orelha: mitos e verdades sobre o que se sabe até o momento

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A morte do cão comunitário Orelha, que vivia na Praia Brava, em Florianópolis (SC), virou assunto nacional nas últimas semanas por conta da forma brutal como o animal foi morto. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), o cachorro foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro. Laudos da Polícia Científica apontam que Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária. Com a velocidade das redes sociais, surgiram versões conflitantes sobre o que teria acontecido e como a investigação avançou.

A reportagem do programa “Fantástico”, da Globo, exibida no último domingo (1º/2), reuniu depoimentos e imagens para reconstituir a cronologia do caso e contextualizar o avanço da apuração. Uma das moradoras responsáveis por cuidar do cão comunitário conversou com a reportagem do programa dominical e rebateu informações que seriam fake news.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Adolescente acusado de matar o OrelhaReprodução: Globo Adolescente acusado de matar OrelhaReprodução: Globo Casinha onde o cão Orelha vivia recebe homenagensCréditos: @mmalupires (ig) | @myhoodbr Cachorro OrelhaReprodução: Portal LeoDias Menores envolvidos no caso OrelhaReprodução: Portal LeoDias

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O portal LeoDias organizou uma lista com mitos e verdades sobre o caso, com base no que foi divulgado oficialmente e em apurações do próprio portal. Leia a seguir:

MITO: “Houve eutanásia”
Não existe, até aqui, uma confirmação pública oficial descrevendo eutanásia, ato de antecipar a morte de um paciente com doença incurável ou terminal, como causa do desfecho. Em nota divulgada pela polícia, que concluiu as investigações, o fato é que Orelha morreu em uma clínica veterinária por conta dos ferimentos.

Parte das postagens e comentários nas redes tratou eutanásia como se fosse fato fechado. Porém, a cuidadora do animal afirmou que isso não aconteceu.

MITO: “Usaram prego para ferir”
Esse é um dos pontos mais repetidos em boatos, mas não foi confirmada pela polícia e nos laudos. Houve sim uma “pancada contundente na cabeça”, compatível com chute ou objeto rígido como madeira ou garrafa. Porém, versões que circulam de que os adolescentes investigados teriam usado prego no cachorro, não procedem.

MITO: “A investigação não andou”
A PCSC informou na última terça-feira (3/2) que concluiu a investigação e descreveu uma força-tarefa com análise de mais de mil horas de imagens, dezenas de testemunhas e cruzamento de dados para fechar a linha do tempo. No desfecho anunciado pela polícia, houve pedido de internação de um adolescente no caso Orelha e indiciamento de três adultos por coação a testemunha. O caso foi encaminhado para o Ministério Público e Judiciário.

VERDADE: “Os suspeitos foram para o exterior”
A polícia registrou que dois adolescentes estavam nos Estados Unidos em uma viagem descrita como “pré-programada”, e que houve operação de busca e apreensão no âmbito da investigação.

Em nota, a PCSC também relatou que o adolescente apontado como autor viajou para fora do Brasil no dia em que a polícia identificou suspeitos e voltou ao país no fim de janeiro. Ou seja, não é possível confirmar uma fuga do rapaz, mas houve viagem ao exterior, com registros oficiais de deslocamento e ações investigativas. No retorno, registrado no dia 29 de janeiro, ele foi interceptado ao chegar no aeroporto.

VERDADE: “A identidade da adolescente suspeita como cúmplice foi confundida”
A verdade é que Maria Eduarda Zampieri Savoldi, de 22 anos, não tem qualquer ligação com o caso do cão Orelha e foi confundida injustamente nas redes sociais por ter nome e sobrenome semelhantes aos da amiga do rapaz que teve pedido de internação aberto. Os dois aparecem em vídeos da investigação.

Segundo relato da jovem e de sua mãe ao portal LeoDias, ela não possui parentesco com a adolescente dada como suposta cúmplice; não estava em Florianópolis no dia do crime e passou a sofrer exposição indevida. O erro ainda foi potencializado pelo fato de ela seguir nas redes sociais o delegado do caso, Ulisses Gabriel.

Maria Eduarda afirmou ainda que sua idade foi distorcida, já que ela tem 22 anos, não 19; e negou qualquer participação, omissão ou cumplicidade.

MITO: “Existe um vídeo em que o agressor debocha da morte de Orelha”
Conteúdos desse tipo também entraram na onda de viralização. Segundo o site de checagem Boatos.org, o vídeo atribuído a um dos envolvidos, com suposta fala de “vida perfeita”, é falso e teria sido fabricado com Inteligência Artificial (IA).

Durante a investigação do caso, o portal LeoDias publicou detalhes exclusivos de bastidores, como a foto registrada na guarita do condomínio onde estavam os adolescentes A imagem foi incorporada ao conjunto de provas.

Mesmo com o inquérito concluído e com pedidos e indiciamentos anunciados, ainda há pontos que costumam mudar quando o caso entra na fase do parecer do Ministério Público e Judiciário. Por isso, ao tratar de detalhes específicos como instrumentos usados, supostas cenas, ou versões gráficas, o mais seguro é usar como fonte o que foi documentado.

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