11 fevereiro 2026

Da mistura química ao “olhômetro”: especialista alerta para erros comuns na manutenção de piscinas

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A morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, vítima de uma intoxicação causada pela mistura de produtos químicos próximo à área da piscina de uma academia em São Paulo, levantou debates a respeito da manutenção em áreas comuns. Um dos principais erros é justamente a manipulação desses itens, sobretudo quando realizada em ambientes fechados.

Para esclarecer os riscos envolvidos e os cuidados necessários, o portal LeoDias conversou com o perito químico Guilherme de Lima e Silva, que alertou para os principais problemas quanto às atividades. De acordo com o especialista, os principais produtos químicos usados para a limpeza de piscina são o hipoclorito de cálcio ou de sódio, ácido tricloro e bromo para desinfecção, ácido cianúrico para estabilização do cloro e ácido clorídrico, bissulfato de sódio ou carbonato de sódio para ajuste de pH.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Produtos utilizados na piscina da academia C4 GymFoto: Reprodução Veja o momento em que mulher sai da piscina passando mal horas antes de morrer por intoxicaçãoFoto: Reprodução Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução

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Ele destaca que, mesmo isoladamente, esses produtos já apresentam riscos à saúde, a depender de fatores como a manipulação, concentração, via de exposição e tempo de contato. Por isso, o uso rotineiro e a manipulação química de fato são diferenciados: “Quanto maior a concentração do produto e maior a exposição do público, maior deve ser o nível de capacitação de quem manipula”, explica.

A manipulação, armazenamento e o controle químico de piscinas são regulados por normas técnicas e legislação sanitária. Guilherme acrescenta que o profissional escolhido depende do nível de complexidade e do tipo de piscina, mas que a atividade normalmente fica a cargo de químicos e os engenheiros químicos.

Os riscos da manipulação incorreta
A dosagem incorreta de produtos inseridos na piscina ou mesmo manipulados em áreas de acesso comum impacta diretamente na saúde de todos os envolvidos, do operador aos usuários. A combinação de produtos de marcas ou composições diferentes, por exemplo, pode gerar:

reações químicas violentas;
liberação de gases tóxicos, como gás cloro, cloroamina e vapor ácido;
perda de eficiência do tratamento;
formação de subprodutos indesejáveis.

Essas reações químicas geram problemas diretos ao corpo humano, como evidenciado no caso da intoxicação na piscina da academia paulista. Normalmente, os sintomas começam com ardência no nariz, garganta e olhos, tosse, dificuldade para respirar, irritação na pele. Em casos mais graves, também é possível observar falta de ar, confusão mental e desmaios.

Por isso, além da obrigatoriedade da manipulação de produtos químicos ser realizada por um profissional competente, o cuidado como o local também deve ser observado. O perito químico explica que a ventilação inadequada potencializa os riscos, enquanto misturar ou mesmo armazenar esses itens dentro de ambientes cobertos, como uma piscina fechada, não é seguro: “Tem risco de liberação de gases, exposição continua dos usuários aos gases e risco de acidente”.

Erros comuns, mitos e verdades e o que fazer
O especialista listou erros comuns no processo de limpeza de piscina e manipulação de produtos químicos de forma geral.

dosar no “olhômetro”;
mistura de produtos;
armazenamento inadequado;
manipulação errada em local errado;
ausência de profissional habilitado.

De qualquer maneira, é importante estar atento a possíveis problemas. Sinais como cheiro forte e irritante de cloro, ardência intensa nos olhos e garganta podem indicar condições incorretas na água da piscina. Já os sintomas físicos podem incluir tosse, falta de ar, aperto no peito, sensação de queimação na pele, tontura, náusea ou mal estar súbito.

Em caso de suspeita de intoxicação química, o primeiro passo é afastar a pessoa do local contaminado. Em caso de de contato com pele ou olhos, lavar em abundância com água corrente. Caso haja sintomas respiratórios, é fundamental manter a pessoa sentada, evitar esforço e observar a respiração. Acione a ajuda do SAMU ou Corpo de Bombeiros.

Mitos

dar leite (não há neutralização dos produtos);
provocar vômito (corre o risco de bronco aspirar ou queimar as vias aéreas;
tomar qualquer remédio.

Verdades

água corrente para lavar;
ar fresco é essencial;
sintomas iniciais são alertas, não ignore;
atendimento rápido

“O principal alerta é: segurança em piscina não é só aparência da água. Água transparente não significa água pura”, finaliza o perito químico.

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