12 fevereiro 2026

Donos de academia são indiciados por morte de mulher após usar piscina; polícia pede prisão

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A Polícia Civil formalizou, na noite de quarta-feira (11/2), o indiciamento dos três proprietários da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, Zona Leste da capital paulista, pela morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, ocorrida no último fim de semana depois de uma aula de natação. A acusação é de homicídio com dolo eventual.

Os empresários, Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, estiveram no 42º Distrito Policial para prestar esclarecimentos. Eles compareceram acompanhados de dois advogados e foram interrogados pelo delegado responsável pelo inquérito no fim da tarde de quarta-feira.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Veja o momento em que mulher sai da piscina passando mal horas antes de morrer por intoxicaçãoFoto: Reprodução Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução Mulher morre por suspeita de intoxicação após nadar em piscina de academia de SPReprodução/Divulgação Mulher morre por suspeita de intoxicação após nadar em piscina de academia de SPReprodução/Divulgação Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução Polícia não localiza donos de academia em SP onde professora morreu na piscinaPortal LeoDias Produtos utilizados na piscina da academia C4 GymFoto: Reprodução Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução Produtos utilizados na piscina da academia C4 GymFoto: Reprodução Severino Silva, manobrista responsável pela manutenção da piscina da academia C4 GymFoto: Reprodução

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Em entrevista à TV Globo, o delegado informou que solicitou a prisão dos investigados. A decisão, no entanto, depende de análise do Poder Judiciário, que ainda avaliará se acolhe ou não o pedido.

Por meio de nota, a defesa declarou que ingressou com medida judicial para tentar barrar a eventual decretação das prisões. Segundo os advogados, os clientes estão “colaborando com o bom desenvolvimento das investigações”.

No âmbito jurídico, o homicídio com dolo eventual ocorre quando o agente não tem a intenção direta de matar, mas assume o risco de que sua conduta possa resultar em morte.

Manobrista recebia instruções por WhatsApp
De acordo com o delegado Alexandre Bento, há indícios de que o manobrista Severino José da Silva, de 43 anos, recebia instruções diretas dos donos da academia, por meio de mensagens de WhatsApp, para manusear produtos químicos utilizados na piscina, apesar de não possuir formação técnica para desempenhar essa função.

A linha de investigação aponta que a manipulação inadequada dessas substâncias, em um espaço fechado e com ventilação insuficiente, pode ter provocado a liberação de gases tóxicos.

No sábado (7/2), a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal após deixar a piscina e foi socorrida. Ela morreu horas depois no Hospital Santa Helena, em Santo André.

Relatos indicam que problemas já vinham sendo percebidos
Um ex-instrutor de natação que trabalhou na academia em 2024 afirmou que falhas no tratamento da água não eram novidade. Nesta semana, ao menos sete pessoas relataram sintomas compatíveis com intoxicação.

À TV Globo, Thygo Araújo, que integrou a equipe da C4 Gym por três meses, contou que episódios de irritação na pele e dificuldades respiratórias eram recorrentes, atribuídos a um odor intenso no ambiente.

“Já teve alguns momentos que a gente estava dando aula e sentia desconforto na pele, tipo pinicadas, e um cheiro diferente, que dava ardência no nariz e tosse”, relatou Araújo.

Ele afirmou que, na época, um dos proprietários era responsável pelo tratamento da piscina. Em uma ocasião, segundo o ex-professor, uma mistura química teria sido preparada de forma incorreta, o que levou à suspensão das aulas.

“Ele [dono] fez uma mistura lá, a mistura saiu errada, e aí ele jogou na piscina das crianças, pequena. Ficou um cheirão forte, que a gente não conseguia ficar lá dentro. Teve algumas [aulas], até que vimos que não estava dando. Aí tirou todo mundo, as crianças. Foi uma semana bem difícil pra água voltar a ficar limpa mesmo, sem nenhum produto químico”, disse o professor de natação, que chegou a procurar atendimento médico devido aos sintomas.

Os três sócios devem continuar sendo ouvidos no decorrer da apuração.

Dono de academia mandou funcionário fugir da polícia
Responsável pela manutenção da piscina, o manobrista Severino José da Silva afirmou em depoimento que recebeu uma ligação de um dos proprietários no domingo (8/2), avisando-o sobre a movimentação policial. Segundo ele, a orientação foi: “Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”.

O funcionário declarou ainda que, ao notar que frequentadores apresentavam mal-estar no sábado (7/2), tentou contato com Celso, mas não conseguiu retorno imediato.

Ele contou que só obteve resposta às 14h11, quando o espaço já havia sido esvaziado. Ao explicar a situação, teria ouvido do proprietário apenas: “Paciência”. A ligação, segundo relatado, ocorreu às 10h30 do dia seguinte.

Outras vítimas apresentaram sintomas graves
Além da morte de Juliana, outras seis pessoas precisaram de atendimento médico ou procuraram a polícia para relatar mal-estar.

Entre os casos estão: Vinicius de Oliveira, marido da professora, está internado em estado grave na UTI com insuficiência respiratória; Um adolescente de 14 anos também permanece na UTI em estado grave; Uma mulher de 29 anos foi internada após apresentar náuseas, vômitos e diarreia; Um aluno segue hospitalizado em leito comum; Uma quinta vítima teve o estado de saúde não divulgado; Uma sexta pessoa procurou a delegacia nesta quarta-feira para relatar que também passou mal.

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