6 fevereiro 2026

Injeções de ácido no pênis viram tema de discussão nas Olimpíadas de Inverno; entenda!

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Uma prática inusitada e controversa acabou colocando o salto de esqui no centro de um debate improvável às vésperas das Olimpíadas de Inverno. Relatos sobre o uso de injeções no pênis para supostamente obter vantagem competitiva levaram a Agência Mundial Antidoping (Wada) a admitir que pode abrir uma apuração caso surjam provas concretas.

A discussão ganhou força após uma reportagem do jornal alemão Bild, publicada em janeiro, apontar que alguns atletas da modalidade estariam aplicando ácido hialurônico no órgão genital antes da medição oficial dos trajes de competição. A substância, permitida pelas regras esportivas, é conhecida por aumentar temporariamente a circunferência peniana em até dois centímetros.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Agência Mundial Antidoping (WADA) pode investigar casos de saltadores que injetam acido hialurônico no pênis caso haja ganho de performanceFoto: Reichert/NordicFocus
Imagem ilustrativaFoto: freepik

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Segundo a publicação, a alteração corporal poderia interferir diretamente no tamanho do macacão usado nas provas, ampliando sua área de contato com o ar. Para a Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), qualquer mudança milimétrica pode influenciar o desempenho durante o salto.

“Cada centímetro extra em um traje conta. Se o seu traje tiver uma área de superfície 5% maior, você voa mais longe”, explicou Sandro Pertile, diretor das provas masculinas de salto de esqui da FIS.

Durante uma coletiva de imprensa nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, o tema foi levado ao diretor-geral da Wada, Olivier Niggli, que afirmou não ter conhecimento prévio sobre o assunto. Ele ressaltou, no entanto, que o órgão poderá agir caso surjam elementos que indiquem violação das regras antidoping.

“Não estou ciente dos detalhes do salto de esqui e de como isso poderia melhorar o desempenho. Se alguma coisa vier à tona, iremos investigar e ver se está relacionada a doping. Não abordamos outros meios [não proibidos] de melhorar a performance.”

A pergunta arrancou risadas do presidente da Wada, o polonês Witold Banka, que fez um comentário bem-humorado diante dos jornalistas: “O salto de esqui é muito popular na Polônia, então prometo que vou analisar isso”.

A FIS, por sua vez, rechaçou qualquer suspeita. Em entrevista à BBC Sport, o diretor de comunicação da entidade, Bruno Sassi, afirmou que não há indícios de irregularidade. Segundo ele, “nunca houve qualquer indicação, muito menos evidência, de que algum competidor tenha feito uso de injeção de ácido hialurônico para tentar obter vantagem competitiva”.

Atualmente, antes de cada temporada, os saltadores passam por medições rigorosas com scanners corporais em 3D. O protocolo determina que os atletas estejam vestindo apenas “roupa íntima elástica e justa ao corpo”. As normas estabelecem tolerâncias de apenas 2 a 4 centímetros nos trajes, incluindo a medição específica da região da virilha.

No caso dos homens, a altura da virilha do macacão deve coincidir com a do atleta, com uma margem adicional de até três centímetros. O ácido hialurônico, quando aplicado, pode permanecer no corpo por até um ano e meio, o que levanta questionamentos sobre possíveis impactos indiretos nas medições.

A polêmica não surge em um vácuo. A tentativa de manipular trajes para obter vantagem esportiva já levou a punições recentes. Em agosto, os noruegueses Marius Lindvik e Johann Andre Forfang, medalhistas olímpicos, foram suspensos por três meses após um episódio envolvendo adulteração de uniformes durante o Mundial de Esqui em Trondheim, na Noruega. Embora tenha sido posteriormente constatado que os atletas não tinham conhecimento direto da fraude, a FIS afirmou que a equipe técnica “tentou burlar o sistema” ao inserir fios reforçados nos trajes.

As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026 têm início oficial nesta sexta-feira (6/2) e seguem até 22 de fevereiro, marcando a 25ª edição do evento. As provas de salto de esqui começam na segunda-feira (9/2).

O Brasil participa dos Jogos Olímpicos de Inverno desde 1992 e chega à sua décima edição com a maior delegação da história: 15 atletas, incluindo um reserva. A equipe brasileira compete em cinco modalidades — bobsled, esqui alpino, esqui cross-country, skeleton e snowboard — e busca uma medalha inédita.

Dos atletas convocados, 11 nasceram no Brasil. Os outros quatro — Lucas Pinheiro, Pat Burgener, Augustinho Teixeira e Giovanni Ongaro — nasceram fora do país, mas possuem dupla cidadania e optaram por representar a delegação brasileira.

Uso estético e riscos médicos
O ácido hialurônico é uma substância composta por moléculas semelhantes a açúcares, com alta capacidade de retenção de água. Amplamente utilizado em procedimentos estéticos, como preenchimento facial, ele também passou a ser empregado para aumento da circunferência peniana.

De acordo com o urologista Ubirajara Barroso Jr., professor da Universidade Federal da Bahia, o procedimento costuma resultar em um ganho médio de 1,5 a 2 centímetros. Já o cirurgião plástico Flávio Rezende, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, afirma que o resultado varia conforme o volume aplicado e as características individuais do paciente. Segundo ele, cada 34 ml do produto pode gerar cerca de 1 centímetro de aumento.

“Hoje é possível chegar a 3 ou 4 cm de ganho, dependendo do conhecimento técnico do profissional e da estética, para que a intervenção não fique perceptível”, disse Rezende em entrevista à BBC em maio de 2025.

Como o organismo absorve o ácido ao longo do tempo, o efeito não é permanente, sendo necessárias reaplicações após um ou dois anos. Especialistas ouvidos pela BBC destacam que, quando realizado por profissionais qualificados, o procedimento é considerado simples e apresenta baixo índice de complicações.

O alerta surge, porém, quando a aplicação ocorre sem acompanhamento médico adequado. Segundo o urologista Fernando Facio, coordenador do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), casos de uso indevido têm se tornado mais frequentes.

“A gente vê casos de autoaplicação, como se fosse a mesma coisa que passar um creme no rosto. O pênis é um órgão único, cheio de vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas, com funções sexuais e urinárias”, explica.

Facio ressalta que o ácido precisa ser injetado em camadas muito específicas logo abaixo da pele, com espessura de poucos milímetros. Se aplicado de forma incorreta, pode migrar para a região pélvica — cenário em que não há ganho estético, mas também não costuma haver efeitos graves.

O risco maior ocorre quando a substância atinge vasos sanguíneos, podendo causar necrose ou embolia, situações que colocam a vida do paciente em perigo.

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