24 fevereiro 2026

MPAC apura possível erro médico na morte de professora de 84 anos em Rio Branco

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Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da 10ª Promotoria de Justiça Criminal de Rio Branco, instaurou procedimento investigativo criminal para esclarecer as circunstâncias da morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gadelha, de 84 anos. Ela faleceu no dia 22 de janeiro de 2026, após atendimento no pronto-atendimento da Unimed Rio Branco.

Inicialmente tratado como notícia de fato, o caso evoluiu para investigação criminal após o surgimento de indícios de possível prática de crime. A apuração busca identificar eventual responsabilidade penal de profissionais envolvidos no atendimento.

Conforme informações preliminares reunidas pela Promotoria, há indícios de que a paciente teria recebido quantidade excessiva de sódio durante o tratamento. Documentos encaminhados ao MPAC, incluindo prontuários médicos e a certidão de óbito, apontam como causa da morte um distúrbio hidroeletrolítico — quadro que pode estar relacionado ao aumento anormal dos níveis de sódio no organismo.

Depoimentos de familiares indicam que a idosa tinha vida ativa e estado de saúde considerado estável para a idade. Segundo os relatos, a aplicação da substância teria sido indicada como parte do atendimento, mas a segunda infusão teria ocorrido em intervalo menor que o recomendado e com velocidade superior à prevista, o que teria provocado agravamento do quadro clínico e, posteriormente, o óbito.

Os familiares afirmaram ainda que receberam, ainda na unidade de saúde, a informação de que teria ocorrido falha na administração da medicação. Após a piora, a paciente foi transferida para outro hospital, onde também teria sido levantada a hipótese de erro na aplicação do sódio como fator determinante para o desfecho.

Exames laboratoriais e relatório médico particular contratado pela família apontaram elevação abrupta nos níveis de sódio após as infusões, além da inexistência de doença cardíaca prévia que justificasse, isoladamente, a morte.

Informações fornecidas pela própria unidade de saúde classificam o procedimento como de baixo risco e com reduzida probabilidade de complicações graves. Documentos também registram sobreaplicação da substância, atribuída à velocidade de infusão acima do recomendado.

Medidas adotadas

Com a abertura formal da investigação, o MPAC determinou uma série de diligências, incluindo solicitação de laudo cadavérico indireto ao Instituto Médico-Legal, oitiva de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem que participaram do atendimento, além da requisição de informações complementares à unidade de saúde.

Também foi determinada a notificação do médico contratado pela família e o levantamento de possíveis casos semelhantes.

No documento que fundamenta a instauração do procedimento, o promotor de Justiça Ildon Maximiano afirmou que há elementos que indicam a possível ocorrência de crime. Segundo ele, a investigação deverá apurar se o caso se enquadra como homicídio doloso — inclusive sob a perspectiva de dolo eventual — ou homicídio culposo.

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