28 fevereiro 2026

Neurologista pondera sobre uso de canabidiol após fala de João Lucas, marido de Sasha Meneghel

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O cantor João Lucas, marido de Sasha Meneghel, revelou nas redes sociais que utiliza óleo de canabidiol (CBD) com prescrição médica para ajudar no controle da ansiedade, bem como na concentração. Ao falar sobre o tema, o músico afirmou que o tratamento é acompanhado por profissional de saúde e ressaltou a importância de orientação adequada, reacendendo o debate sobre o uso terapêutico da substância no Brasil. Mas o que, de fato, a ciência já comprova sobre o canabidiol? Segundo o neurologista ouvido pelo portal LeoDias, Dr. Yuri Macedo, do Hospital Badim, a principal indicação com respaldo científico sólido na neurologia é o tratamento de epilepsias, especialmente as síndromes epilépticas raras da infância, como Dravet, Lennox-Gastaut e West.

De acordo com o especialista, o uso pode ser estendido a outros tipos de epilepsia como terapia complementar. “Cada uma dessas vai ter uma evidência mais robusta para o uso do CBD como anticonvulsivante, principalmente em casos refratários”, explicou. Já em quadros de dor neuropática, as formulações que combinam CBD com THC têm sido estudadas, mas ainda carecem de pesquisas mais amplas que sustentem uma recomendação como primeira linha de tratamento.

Veja as fotosAbrir em tela cheia João Lucas fala sobre uso de canabidiol (CDB) para controle da ansiedadeReprodução: Instagram/@joao.lucas Dr. Yuri Macedo é membro da Sociedade Brasileira de Neurologia e da Peripheral Nerve SocietyDivulgação: Hospital Badim Anvisa interdita lote de canabidiol comprado pela Prefeitura de São PauloDivulgação: Healthy Grains S.A. Cannabis medicinalReprodução cannabisesaude.com.br Bel e o filho falam sobre a importância da cannabis medicinalReprodução: Instagram/Bel Kutner

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No caso das doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, o médico esclareceu que não há benefício comprovado na melhora da cognição ou na reversão dos sintomas. O que pode ocorrer é um controle comportamental, como redução de agressividade ou irritabilidade em alguns pacientes. “Se o paciente está agressivo, o remédio pode ajudar a amenizar a agressividade, mas não vai mudar a situação em relação ao esquecimento ou ao que a pessoa era capaz de fazer antes e não é mais. Tem pacientes que vão ficar bem com essas medicações e outros que não vão ficar”, ressaltou.

A discussão costuma ganhar força quando o assunto é ansiedade, insônia ou enxaqueca. Essas são justamente as condições citadas com mais frequência por quem procura o produto. Segundo Yuri Macedo, ainda não há evidência científica robusta que permita indicar o CBD como tratamento principal para esses transtornos. “Não tem evidência. Existem formulações nas quais a embalagem traz escrito que é para o sono, como, por exemplo, cannabigerol com melatonina. Isso não tem evidência ainda. Não é possível afirmar hoje que o CBD vai ajudar de alguma forma em insônia. Pode haver relatos de casos, de experiências positivas, mas não há evidência até o momento para uma recomendação do uso de primeira linha. Durante a jornada terapêutica podem ser tentadas formulações de forma alternativa, principalmente quando os tratamentos convencionais falham e pela experiência do prescritor e desejo do paciente”, disse.

No caso da insônia, por exemplo, ele destaca que medidas de higiene do sono e o tratamento de condições associadas, como ansiedade e depressão, continuam sendo as estratégias mais recomendadas. “Da mesma forma, para o tratamento da ansiedade também não há uma evidência clara. Os derivados da cannabis podem ser utilizados, mas não como o cerne do tratamento para essa condição”, ressaltou o médico.

Em relação aos efeitos colaterais, o neurologista destacou que, em doses baixas, os derivados da cannabis costumam ser bem tolerados. Podem ocorrer alterações gastrointestinais e aumento de enzimas hepáticas. Em doses mais altas, há risco de sonolência, alterações do sono e dor abdominal. Formulações com maior concentração de THC podem, em alguns casos, desencadear sintomas psiquiátricos, incluindo episódios psicóticos.

Outro ponto importante é a interrupção do tratamento. Como o cérebro possui receptores específicos que interagem com os canabinoides, substâncias semelhantes às produzidas naturalmente pelo próprio organismo, a retirada deve ser feita de forma gradual e supervisionada, evitando possíveis desconfortos.

No Brasil, o canabidiol pode ser adquirido mediante prescrição médica com receituário específico tipo B1, segundo o especialista. Há produtos disponíveis em farmácias e também a possibilidade de importação, mediante cadastro na Anvisa, com autorização válida por até dois anos, renovável. Também existem associações autorizadas a produzir para grupos específicos de pacientes.

Para o Dr. Yuri Macedo, a decisão de iniciar o tratamento precisa ser individualizada. “Isso tem que ser visto junto a um profissional que vá fazer uma análise clínica do que aquele paciente realmente precisa, dos possíveis efeitos positivos que o canabidiol teria de fato. Não a partir de uma vontade de fazer a medicação. Às vezes, o paciente quer muito fazer o canabidiol, vai ao médico procurando por isso e é importante que ele seja esclarecido em relação às expectativas do tratamento”, orientou.

A fala de João Lucas amplia a visibilidade do tema. Mas, segundo especialistas, a escolha pelo uso do canabidiol deve sempre estar ancorada em avaliação médica criteriosa; especialmente quando se trata de condições que ainda não contam com evidência científica consolidada.

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