14 fevereiro 2026

Orelha sofreu eutanásia? Veterinário e moradora que resgatou o cão deram respostas diferentes à polícia; entenda

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Atenção: a matéria a seguir contém relatos explícitos e sensíveis sobre o estado do cão Orelha quando foi resgatado, já agredido. Violência e maus-tratos aos animais são crimes. Caso você tome conhecimento de alguma ação neste sentido, denuncie no 190.

O portal LeoDias recebeu, com exclusividade, depoimentos de testemunhas do resgate do cão Orelha: a morada que encontrou o animal, já agonizando, no dia 5 de janeiro, e o veterinário que o atendeu e o acompanhou até seu falecimento. No entanto, um detalhe chama a atenção: a mulher afirma que Orelha morreu em decorrência apenas dos ferimentos sofridos, sem eutanásia. O médico, por outro lado, disse que forneceu um medicamento para amenizar as dores do cãozinho, que agonizava de dor, que se assemelha a uma eutanásia.

Além disso, segundo laudos periciais obtidos com exclusividade por este veículo, Orelha teria sofrido múltiplas fraturas na região da cabeça por um “instrumento contundente”, que podem ter sido desde pauladas a chutes, e até mesmo espancamento com uma barra de ferro. As lesões foram tão graves, que o animal agonizou ainda por 24 horas antes de morrer. Segundo relatos, só no dia seguinte do espancamento, 5 de janeiro, o pet foi sido resgatado por moradores da região. O veterinário responsável contou a polícia que usou um anéstesico para o animal “dar uma dormida e aí ele veio a óbito”, e que foi “tipo um procedimento de eutanásia”.

Veja fotos do laudo
Veja as fotosAbrir em tela cheia Inquérito sobre o cão OrelhaPortal LeoDias Inquérito sobre o cão OrelhaPortal LeoDias Inquérito sobre o cão OrelhaPortal LeoDias Inquérito sobre o cão OrelhaPortal LeoDias Inquérito sobre o cão OrelhaPortal LeoDias Inquérito sobre o cão OrelhaPortal LeoDias

Voltar
Próximo

Os depoimentos abaixo, do veterinário e de uma moradora, contêm narrativas fortes e podem te impressionar. Atenção ao gatilho.

Em um trecho a moradora diz: “Eu fiquei sabendo do cão no domingo e vieram na minha casa em busca de medicamentos. Como me disseram que estava um pouco machucado, eu não dei muita bola. Na segunda eu saí, fui fazer minhas coisas, só aí descobrimos a gravidade. O Orelha estava debaixo de um carro, e quando olhei pra ele, pensei que já tivesse morto. Botei ele no carro, em cima do pano, e vi que sangrava pela boca e pelo nariz, manchou todo o banco do carro de sangue. Eu resgatei o cachorro sozinha”.

Em outro trecho, já na clínica, o veterinário teria dito que o cãozinho já estava morto. “Não, ele não está morto”, teria corrgidio a moradora. “Realmente ele não está morto, porém, está agonizando e vai morrer”, teria finalizado o médico veterinário, ainda segundo os depoimentos. “Não é atropelamento e sim espancamento”, teria dito o especialista. “E, de fato, ele tinha três cortes imensos, um olho ele não tinha, e três cortes enormes que aparecia o osso e o crânio, muitos bichos no buraco do ferimento, desfacelado e os dentes todos quebrados. Todo destruído. Foi na cabeça pra matar”, desabafou a moradora.

Ao ser questionada, durante o depoimento, se o animal teria sido eutanasiado, a testemunha diz que o animal teria morrido na mesa por conta dos ferimentos: “Eu fiquei super mal, chorei pra caramba”. No entanto, o relato dela, em juízo, contradiz o que o veterinário alega, também em depoimento. Para a polícia ele disse que precisou realizar um procedimento considerado parecido com a eutanásia.

Durante as oitivas, o profissional disse às autoridades que o animal estava realmente muito machucado e que não sobreviveria. Ao ser questionado quais foram os procedimentos adotados ele disse:

“Ele estava bem machucado só na região da cabeça do lado esquerdo. Tinha um inchaço bem grande , quase inconsciente, e não conseguia se firmar direito, além de sangramento nasal e bucal. O animal foi enterrado num sítio da cachoeira. Ele estava com uma respiração muito forçada, começou a uivar de dor. Eu fiz um anestésico, tipo para dar uma dormida, e aí ele veio a óbito. É tipo um procedimento de eutanásia, eu só dei um pouquinho para ele não ficar em sofrimento”.

Laudo pericial
O Ministério Público deve pedir a exumação do corpo do cão Orelh nos próximos dias. No laudo pericial oficial da polícia, consta o seguinte termo: “O mesmo cachorro foi encaminhado a um veterinário, no qual foi necessário fazer eutanásia, pois não iria se recuperar. Não é a primeira vez que um cachorro é morto aqui na praia Brava. Já tentaram em outra ocasião colocar fogo nas casinhas”.

O relatório finaliza dizendo que existiu compatibilidade de ação de energia de ordem mecânica por instrumento contundente contra a cabeça do animal. Além disso, cabe reforçar portanto, que os relatos periciais provam que a polícia já tinha conhecimento de maus tratos a animais na praia naquela região.

- Publicidade -

Veja Mais