1 fevereiro 2026

Órgãos de segurança identificam mudança na dinâmica do tráfico de drogas no Acre em 2025

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Foto: Reprodução / Internet

Dados recentes do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelam um cenário contraditório no combate ao tráfico de drogas no Acre em 2025. Enquanto o número de ocorrências aumentou, a quantidade total de entorpecentes apreendidos apresentou queda significativa, indicando uma mudança no modo de atuação das organizações criminosas, especialmente nas rotas que passam pelas fronteiras com o Peru e a Bolívia.

Ao longo de 2025, as forças de segurança registraram 868 ocorrências de tráfico de drogas no estado, o que representa uma média de duas por dia. Em comparação com 2024, houve um crescimento de 4,58% nos registros, evidenciando a persistência da atividade criminosa. Em contrapartida, o volume de drogas retiradas de circulação diminuiu, sinalizando uma estratégia baseada no fracionamento das cargas e na pulverização da distribuição, o que dificulta grandes apreensões.

No caso da maconha, foram apreendidos 258 quilos durante o ano, uma redução de 34,74% em relação a 2024. Apesar da média de uma apreensão diária, os números apresentaram forte variação ao longo do ano. Os maiores volumes foram registrados em maio, com 93 quilos, e em outubro, com 50 quilos. Já agosto e setembro tiveram apenas 1 quilo apreendido cada, enquanto junho somou 7 quilos e julho, 4 quilos, indicando períodos de menor circulação ou maior êxito do tráfico em driblar a fiscalização.

A queda foi ainda mais expressiva nas apreensões de cocaína, principal droga em circulação no estado. Em 2025, foram apreendidos 856 quilos, volume 54,08% menor que o registrado no ano anterior. Mesmo com a redução, a cocaína segue liderando em quantidade absoluta de entorpecentes apreendidos. O maior volume mensal ocorreu em maio, com 235 quilos, seguido por outubro, com 123 quilos. Em contrapartida, março registrou apenas 8 quilos apreendidos, enquanto setembro e novembro tiveram 4 quilos cada.

Foto: Whidy Melo/ac24horas

Para o coordenador da Divisão Especializada de Investigações Criminais Especiais (DEIC) da Polícia Civil do Acre, Pedro Paulo Buzolin, o tráfico de drogas sempre esteve ligado a grandes estruturas financeiras, ainda que, por muitos anos, apenas os elos mais frágeis da cadeia fossem alcançados pelas ações policiais. Segundo ele, historicamente o sistema repressivo acabava prendendo apenas as chamadas “mulas”, pessoas sem capacidade financeira compatível com o valor da droga transportada.

Com o avanço das investigações voltadas ao combate à lavagem de dinheiro, Buzolin avalia que a capacidade financeira das organizações pode ter sido afetada. “Para movimentar droga, é preciso ter uma capacidade financeira muito alta. Aquela pessoa que cai com a droga não comprou aquele carregamento, ela está a serviço de alguém. Essa lógica sempre existiu”, explicou.

O delegado também destaca que a maior integração entre as forças de segurança estaduais, em parceria com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, tem levado a uma mudança estratégica nas investigações. Segundo ele, muitos carregamentos que passam pelo Acre são monitorados ao longo do trajeto, mas acabam sendo apreendidos apenas nos destinos finais. “Se a gente focasse apenas no flagrante, nunca chegaríamos ao traficante que não pega a droga. O transportador, muitas vezes, nem tem ciência da carga. Em vez de apenas montar barreiras, trabalhamos na investigação para chegar a níveis que antes não alcançaríamos”, afirmou.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Acre confirmou a redução nos volumes apreendidos desde 2023, mesmo com o reforço das ações de fiscalização. Em nota, a superintendência informou que a tendência é observada de forma integrada entre as instituições de segurança, embora ainda não exista um estudo conclusivo sobre as causas. Entre as hipóteses levantadas está o uso crescente de novas rotas e métodos de tráfico.

Foto: Cedida/Gefron

A avaliação é compartilhada pelo coordenador do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) no Acre, coronel Assis dos Santos. Segundo ele, a ampliação das operações em áreas antes pouco fiscalizadas levou o crime organizado a se adaptar rapidamente. “Quando as grandes apreensões passam a gerar prejuízos elevados, eles mudam a estratégia. Começam a transportar menores quantidades em mais pontos, reduzindo o risco e o prejuízo. As grandes apreensões ficam mais raras, mas aumentam as pequenas”, explicou.

Em 2025, o Gefron realizou 231 operações, com 159 ocorrências gerais, sendo 34 diretamente relacionadas ao tráfico de drogas. Ao todo, foram apreendidos 851,38 quilos de entorpecentes, além de 80.245 maços de cigarros contrabandeados, 53 veículos, 10 armas e 99 prisões ou conduções. As ações resultaram em uma descapitalização estimada em mais de R$ 16,4 milhões para o crime organizado.

O coronel Assis dos Santos também destacou que o tráfico de drogas não é a única fonte de renda das organizações criminosas na região. Segundo ele, o contrabando de cigarros já ocupa a segunda posição entre as atividades mais lucrativas do crime organizado no Acre, o que explica o reforço das operações contra o descaminho na faixa de fronteira. “É uma atividade altamente rentável e que financia outras práticas ilícitas”, concluiu.

Informações via Ac24horas.

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