6 de junho de 2026

Polícia Civil do Acre ganha reconhecimento nacional com nova metodologia do MJSP

Polícia Civil do Acre ganha reconhecimento nacional com nova metodologia do MJSP
Delegado Alcino Sousa Júnior, presidente do CNDH e titular da DHPP do Acre, teve papel central na construção da nova métrica nacional de elucidação de homicídios e feminicídios. Foto: arquivo pessoal
Delegado Alcino Sousa Júnior, presidente do CNDH e titular da DHPP do Acre, teve papel central na construção da nova métrica nacional de elucidação de homicídios e feminicídios. Foto: arquivo pessoal

A Polícia Civil do Acre (PCAC) passa a contar com um importante reconhecimento nacional na avaliação de sua eficiência investigativa com a publicação da Portaria MJSP nº 1.145, de 9 de fevereiro de 2026, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A norma estabelece, de forma inédita, critérios padronizados em todo o país para o cálculo dos índices de elucidação de homicídios e feminicídios, permitindo comparações objetivas entre os estados.

De acordo com a nova regulamentação, um crime será considerado elucidado quando o inquérito policial for concluído e encaminhado ao Judiciário ou ao Ministério Público, com autoria e materialidade identificadas. Também entram no cálculo os casos em que houver conclusão pela inexistência de crime, reconhecimento de excludentes legais ou extinção da punibilidade, exceto nos casos de prescrição. A portaria ainda institui o Índice Nacional de Elucidação de Homicídios (INEH) e o Índice Nacional de Elucidação de Feminicídios (INEF), que passam a medir oficialmente o desempenho das polícias civis em todo o Brasil.

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Portaria do MJ fortalece reconhecimento da eficiência da Polícia Civil do Acre na elucidação de homicídios e feminicídios. Foto: saac Amorim/MJSP

O avanço é resultado de um amplo debate no Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil (CONCPC) e contou com a atuação direta do Comitê Nacional dos Diretores de Departamento de Homicídios (CNDH), presidido pelo delegado da Polícia Civil do Acre, Dr. Alcino Sousa Júnior, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP/AC). O delegado esteve à frente da construção técnica da proposta e da articulação com o Ministério da Justiça para a consolidação do novo modelo.

Para Alcino Sousa Júnior, a portaria representa um divisor de águas na segurança pública brasileira. “Trata-se de um marco para o país. Pela primeira vez, temos um indicador oficial, pactuado e tecnicamente estruturado, capaz de mensurar com maior fidelidade a capacidade investigativa das Polícias Civis na elucidação de homicídios e feminicídios, com critérios claros e dados mais confiáveis”, destacou.

O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Dr. José Henrique Maciel, também ressaltou que a publicação da portaria é fruto de uma luta histórica da instituição e das polícias civis de todo o país por uma métrica justa e transparente. “Essa regulamentação pelo Ministério da Justiça é uma conquista histórica. Sempre defendemos que a investigação policial deve ser medida com critérios técnicos e realistas, e agora temos uma ferramenta que demonstra, de fato, a eficiência da Polícia Civil acreana na resolução dos crimes contra a vida”, afirmou.

Segundo Maciel, o novo modelo corrige distorções antigas, já que os indicadores anteriores consideravam apenas as denúncias oferecidas pelo Ministério Público, deixando de fora casos com autoria atribuída a adolescentes ou situações amparadas por excludentes legais. “Agora, a sociedade passa a enxergar com mais clareza o trabalho investigativo realizado diariamente pelos policiais civis, muitas vezes em condições adversas, mas com resultados concretos”, completou.

Com a padronização nacional e a integração dos dados ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), a expectativa é que a nova metodologia fortaleça a gestão baseada em evidências, permita diagnósticos mais precisos sobre o desempenho investigativo e subsidie políticas públicas mais eficientes, consolidando a Polícia Civil do Acre como referência nacional na apuração de crimes contra a vida.