
A prefeita de Cobija, Ana Lúcia Reis Melena, foi presa nesta quinta-feira (26) no aeroporto da capital boliviana, ao retornar de uma viagem oficial.
A gestora voltava da sede do governo boliviano, onde cumpria agenda institucional em busca de recursos para o município. “Hoje a nossa prefeita eleita democraticamente, Ana Lúcia Reis Melena, foi apreendida quando chegava de avião, de uma viagem que ela fez para a sede de governo, capital, para o país onde ela estava fazendo gestões para o município, buscando recursos para o município”, afirmou.
O diretor relatou que o clima na cidade é de apreensão. “Na verdade, a população do município hoje está consternada, preocupada, triste pela situação que vivemos”, declarou.
De acordo com a prefeitura, a prisão não estaria ligada a atos da atual gestão, mas a processos antigos envolvendo dívidas institucionais. “Como prefeita, nenhum. No caso, é a instituição que tem uma dívida com pessoas que foram demitidas injustamente, por pessoas que tinham processos que não foram pagos, benefícios sociais, entre outros”, disse Zabala.
Ele informou que existiam cerca de 50 mandados de “apreensão” contra a prefeita, relacionados a ações movidas por ex-servidores e ex-vereadores que cobram pagamentos de bônus de fronteira referentes a administrações anteriores. “Esses processos estão saindo agora e a justiça optou por fazer a apreensão da prefeita”, afirmou.
Zabala também criticou o modelo jurídico adotado no país. “No caso da justiça, o que a gente vê que está errado no nosso país é que nesse caso os processos são assumidos pelo CPF e não pelo CNPJ. A prefeita chegou e está assumindo processos antigos. E o próximo prefeito que chegar vai assumir o mesmo processo”, declarou.
Conforme autoridades locais, a dívida estimada da prefeitura é inferior a 1 milhão de bolivianos, envolvendo pendências com serviços sociais, limpeza urbana, servidores e vereadores. A gestão enfrenta dificuldades financeiras. “Essa gestão foi uma gestão muito difícil, porque o município de Cobija está sem recursos, está com dívidas no banco, e é uma situação que não é só em Cobija, é na Bolívia inteira”, disse Zabala.
Apesar da prisão, a prefeitura segue funcionando normalmente, com servidores mantendo o expediente regular. O gabinete da prefeita permanece fechado, com objetos pessoais e documentos ainda no local.
A gestora está detida em uma unidade prisional a cerca de 25 quilômetros de Cobija e deverá comparecer à Justiça na próxima semana para prestar depoimento. Nas ruas, o comércio opera com movimento reduzido, enquanto moradores demonstram surpresa, mas evitam manifestações públicas.






