7 fevereiro 2026

Referência entre rainhas do Carnaval, Carlinhos Salgueiro aborda críticas e preparo de Virginia

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Com mais de três décadas dedicadas ao carnaval, Carlinhos Salgueiro sempre foi um nome respeitado nos bastidores da folia carioca. Diretor artístico da Acadêmicos do Salgueiro e responsável pela formação de algumas das rainhas e destaques mais emblemáticas da Sapucaí, como: Sabrina Sato, Paolla Oliveira, Viviane Araújo, Juliana Paes, entre outas, o coreógrafo vive agora um momento inédito de visibilidade nacional. O motivo? A preparação de Virginia Fonseca para sua estreia no carnaval carioca de 2026, como rainha de bateria da Grande Rio.

A parceria ampliou o alcance do trabalho de Carlinhos para além das quadras e dos ensaios técnicos. Vieram novos públicos, novas oportunidades e, claro, debates, desde críticas direcionadas à influenciadora até questionamentos sobre o fato de o diretor artístico do Salgueiro atuar na preparação de uma rainha da escola concorrente.

Em entrevista exclusiva ao portal LeoDias, Carlinhos falou sem filtros sobre sua trajetória, relembrou o início da carreira, comentou a evolução de Virgínia e abriu o coração ao falar sobre críticas e reconhecimento.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Carlinhos SalgueiroFoto: Arquivo Pessoal Carlinhos SalgueiroFoto: Arquivo Pessoal Carlinhos SalgueiroFoto: Arquivo Pessoal Carlinhos Salgueiro em vídeo nas redes sociaisInstagram @carlinhossalgueiro_oficial Carlinhos Salgueiro e Virginia FonsecaReprodução: Instagram/@virginia Virginia Fonseca e Carlinhos Salgueiro em ensaio de rua da Grande RioReprodução portal LeoDias/ montagem Carlinhos SalgueiroReprodução: Instagram/@carlinhossalgueiro_oficial Virginia em seu primeiro minidesfile na Cidade do Samba, no RioFotos: Webert Belicio & Léo Franco/Agnews Virginia faz aula de samba com coreógrafo do SalgueiroReprodução: Instagram/@carlinhossalgueiro_oficial Carlinos Salgueiro em entrevista ao portal LeoDiasReprodução portal LeoDias/ montagem Carlinhos Salgueiro revela como Virginia está se saindo nas aulas de sambaReprodução: Portal LeoDias

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Quando o trabalho virou referência
Ao revisitar o início da sua caminhada, Carlinhos lembra que o reconhecimento veio antes mesmo das redes sociais existirem como hoje.

“Eu comecei a fazer um trabalho com as meninas, que eram 14 meninas, e de repente repercutiu. Eu viralizei 25 anos atrás e vi que essas meninas viraram referências, que hoje são artistas, bailarinas, modelos, cantoras.”

Foi nesse momento que ele percebeu que algo maior estava acontecendo. “Quando eu vi todo mundo se espelhar nelas, eu vi que o que eu fiz estava tendo uma repercussão boa. E aí eu senti que eu estava mudando o carnaval.”

O sentimento se repete quando ele olha para mulheres que se tornaram símbolos da avenida após passarem por sua orientação, como Sabrina Sato, Paolla Oliveira, Viviane Araújo, Lexa e Juliana Paes. “Eu me sinto muito feliz porque era tudo muito difícil e eu criei a minha própria metodologia em ver os meus passos e ver o que eu estava criando, estava mudando o cenário do carnaval.”

Carlinhos confessa que, por muito tempo, enxergou sua própria dança nos corpos de outras pessoas. “Durante um bom tempo da minha vida me ver nas pessoas, até hoje me faz muito bem quando eu vejo os meus movimentos em outras pessoas fazendo, aí eu me sinto muito feliz, como se eu estivesse eu mesmo dançando, eu ver os meus movimentos em outras pessoas.”

Uma visibilidade inédita
Apesar de sempre ter vivido do carnaval, a projeção atual é algo completamente novo para o professor. “Mudou totalmente, mudou tudo. Eu sempre trabalhei com carnaval, eu sempre viajei com carnaval, eu sempre tive uma história dentro do carnaval, mas não estou oculta. Eu não tinha essa projeção toda.”

Ele admite que, no início, o impacto foi assustador. “No começo me assustou muito, eu não estou acostumado com essa mega projeção. Tem um lado bom, tem um lado ruim também, mas para minha carreira foi muito gratificante.”

Com o tempo, veio o aprendizado. “Eu fiquei com muito receio, mas agora estou com mais cautela e estou conseguindo curtir o lado bom da projeção e da divulgação do meu trabalho.”

“Saber que agora as pessoas têm interesse em saber um pouco de mim, isso é muito importante. Então, eu agradeço muito a equipe, a própria Virgínia, mas o povo saber um pouco da minha história é muito gratificante”, completou.

O desafio de preparar Virginia
Sobre o início dos ensaios, Carlinhos é direto ao descrever o ponto de partida de Virgínia. “Ela chegou muito crua e chegou com uns vícios que foi muito difícil de tirar. Ela não tinha autoconfiança, ela tinha medo de tudo.”

O primeiro trabalho foi emocional. “E a primeira coisa que eu fiz é ela acreditar nela. E tudo é muito novo.”

Ele lembra que o samba exige tempo e entrega. “Todo mundo que trabalhou comigo, que hoje se destaca, tem no mínimo dez anos, cinco anos. É dedicação, é como se fosse uma formação clássica.”

Sua técnica mistura diferentes referências. “A minha técnica é uma técnica apurada, oriando do balé clássico, da dança afro e da minha consciência corporal com o morro, porque eu sou cria do morro.”

A conexão entre os dois foi construída aos poucos. “A gente não conseguia se conectar para eu saber o que ela realmente gostasse de fazer para eu moldar o processo dela”

Evolução
Hoje, o professor se diz satisfeito com a evolução da influenciadora. “Ah, eu tô muito feliz. Eu acho que ela tá bem legal. Assim, pro primeiro ano, pra uma pessoa que não fez nada, e é um mundo totalmente diferente, a evolução dela é passar pra ela um mundo mágico, que é o carnaval.”

Segundo Carlinhos, a virada veio quando Virgínia se soltou. “Então, eu acredito que agora ela está conseguindo evoluir porque ela está mais solta. Desde que essa conexão dela com o samba aconteceu, tudo mudou. Se ela conseguir passar um pouco da história dela no samba, ela é uma mulher muito guerreira, muito simples, muito linda. Se ela conseguir passar tudo isso em movimentos de dança, as pessoas vão gostar muito do que ela tem para oferecer.”

Críticas
As críticas, no início, machucaram. “No começo eu até rebatia, eu respondia, eu ficava indignado”. Hoje, as críticas viraram combustível.

“Agora só me dá a força de fazer mais e mais.”

Carlinhos revelou que os elogios que Virginia recebeu após o ensaio técnico da avenida no último domingo (1º/2), foi uma virada de chave para a influenciadora e para ele. “Ver o tanto de elogios que ela recebeu e ver a felicidade dela, ela estava muito feliz. Ver a felicidade dela foi gratificante demais. E ela sentiu isso e isso foi mágico, esse momento nosso”.

Salgueiro x Grande Rio
Mesmo sendo diretor artístico do Salgueiro, ele afirma que não houve resistência do Salgueiro quando ele foi convidado a treinar Virginia, rainha de bateria da escola concorrente.

“Não, o presidente é super amigo do presidente de lá. Ele só deixou bem claro que eu não deixasse furo com o Salgueiro.”

O conselho final
Ao falar com quem sonha em desfilar na Sapucaí, Carlinhos resume tudo em uma palavra. “O conselho é dedicação. Carnaval é muito difícil. É deixar viver a emoção e trabalhar com a razão. E aí se souber dosar os dois, vai passar um carnaval incrível”, finalizou.

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