7 de junho de 2026

Tatiana Sampaio afirma que Brasil perdeu patente internacional da polilaminina após cortes na UFRJ

Tatiana Sampaio afirma que Brasil perdeu patente internacional da polilaminina após cortes na UFRJ
Foto: Reprodução

A cientista Tatiana Sampaio afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina, substância desenvolvida ao longo de mais de duas décadas de pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ela, a perda ocorreu por falta de recursos para manter o registro fora do país.

A declaração foi feita em entrevista ao canal TV 247, em conversa com a jornalista Hildgard Angel. Embora a entrevista tenha sido concedida há algumas semanas, o tema ganhou repercussão recente após trechos circularem nas redes sociais.

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De acordo com Tatiana, o pedido de patente foi realizado em 2007, quando a pesquisa ainda estava em fase inicial, mas já apresentava potencial terapêutico. A concessão, no entanto, só ocorreu em 2025 — 18 anos depois. Como a validade de uma patente é de 20 anos, o prazo acabou se tornando um fator limitante.

A pesquisadora explica que o grupo cumpriu todas as etapas legais, registrando inicialmente a patente nacional e, depois, a internacional. O problema surgiu entre 2015 e 2016, quando cortes orçamentários atingiram a universidade e impediram o pagamento das taxas internacionais necessárias para manter a proteção da tecnologia fora do Brasil.

“Parou de pagar, nunca mais recupera. Não pode refazer, não pode reapresentar”, afirmou. Segundo ela, a patente internacional foi perdida de forma definitiva, o que permite que outros países utilizem a tecnologia sem restrições.

A patente nacional só foi preservada porque, de acordo com a cientista, ela própria arcou temporariamente com os custos. “Ficamos só com a patente nacional, que eu paguei do meu bolso para não perder”, declarou.

Tatiana associou a perda da patente aos cortes realizados no período dos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, destacando que a redução de investimentos em ciência teve impactos estruturais.

A polilaminina é apontada como uma das pesquisas mais promissoras da ciência brasileira na área de regeneração do sistema nervoso. O estudo abre caminho para recuperar a comunicação entre eixos nervosos e pode contribuir para a devolução de movimentos a pessoas com lesões na medula espinhal, incluindo casos de tetraplegia.

A repercussão do caso reacendeu o debate sobre o financiamento público à ciência no Brasil. Pesquisadores e entidades do setor alertam que projetos de longo prazo dependem de investimentos contínuos para garantir inovação, soberania tecnológica e retorno econômico ao país.

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