
Um vídeo divulgado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (19) revela o momento em que a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, é atacada pelo síndico do prédio onde morava, Cléber Rosa de Oliveira. Ele está preso e confessou o assassinato.
Daiane ficou desaparecida por mais de 40 dias antes de o corpo ser localizado em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, no sul de Goiás.
As imagens recuperadas mostram a corretora chegando ao subsolo do prédio para verificar uma queda de energia. Segundo a investigação, Cléber já a aguardava no local, usando luvas nas mãos e com o veículo posicionado estrategicamente, o que, para a polícia, indica premeditação.
De acordo com o delegado João Paulo Mendes, o suspeito teria deixado a caminhonete com a capota aberta e estacionado próximo ao ponto onde renderia a vítima. A perícia concluiu que Daiane foi morta com dois tiros na cabeça, provavelmente fora do prédio. “A perícia mostrou claramente que qualquer disparo dado seria ouvido na recepção”, informou o delegado André Luiz Barbosa.
Segundo o superintendente da Polícia Científica, Ricardo Matos, a arma utilizada foi uma pistola .380 semiautomática. Um dos projéteis ficou alojado na cabeça da vítima e o outro atravessou a região do olho esquerdo.
O celular de Daiane foi encontrado dentro de uma tubulação de esgoto do condomínio 41 dias após o crime. O aparelho foi localizado durante perícia realizada no dia 30 de janeiro, após indicação do próprio síndico, que já estava preso. O vídeo do momento do ataque não chegou a ser enviado a uma amiga, mas foi recuperado pelos peritos.
Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após descer ao subsolo para verificar a falta de energia em um dos apartamentos que administrava. Natural de Uberlândia (MG), ela morava havia dois anos em Caldas Novas para cuidar dos imóveis da família.
A família sempre descartou a hipótese de desaparecimento voluntário, já que Daiane saiu de casa com roupas simples, deixou os óculos no apartamento e a porta aberta.
Cléber e o filho, Maicon Douglas de Oliveira, foram presos no dia 28 de janeiro. O síndico confessou o crime e indicou o local onde havia deixado o corpo. Já o filho foi detido sob suspeita de ajudar na ocultação de provas, mas a polícia descartou a participação dele no homicídio, e ele deverá ser solto.
As investigações apontam que a motivação do crime estaria ligada a desentendimentos antigos. Cléber administrava seis apartamentos da família de Daiane, função que passou a ser exercida por ela, gerando conflitos. Segundo a polícia, há pelo menos 12 processos judiciais envolvendo os dois, incluindo denúncia por perseguição.
Em nota, a defesa de Cléber informou que ainda não teve acesso completo ao relatório final da investigação e que só irá se manifestar após analisar todo o conteúdo. A Polícia Civil concluiu que o crime foi premeditado e cometido mediante emboscada.






