O clima esquentou na bancada do “Jornal da Band” na última quinta-feira (12/3). O âncora Eduardo Oinegue não poupou palavras para expressar sua indignação contra uma recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e fez um duro editorial expondo sua opinião.
O jornalista classificou como “escandalosa” a ordem que autorizou uma operação da Polícia Federal na casa de um repórter responsável por publicar uma matéria envolvendo familiares do também ministro da Corte, Flávio Dino. Tudo começou após o jornalista em questão noticiar que esses parentes teriam utilizado um carro oficial.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Alexandre de Moraes, ministro do STFFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Flávio DinoReprodução: YouTube/TV Justiça Eduardo OinegueReprodução / Instagram
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Como resposta à publicação, a PF bateu à porta do profissional, cumprindo um mandado de busca e apreensão assinado por Moraes, que resultou no confisco de celulares e notebook. O detalhe que mais chocou Oinegue e a classe jornalística foi a tipificação do crime: perseguição. E a suposta “prova” do delito? As próprias reportagens publicadas.
Visivelmente revoltado com o caso, Oinegue usou o espaço no telejornal para alertar sobre o grave precedente contra a liberdade de imprensa. Segundo o âncora, a decisão cria uma regra perigosa onde apurar e publicar notícias passa a ser visto como indício de prática criminosa pelo STF.
Ele fez questão de ressaltar que a Constituição garante ao repórter o pleno direito de divulgar informações apuradas, independentemente de quem seja o alvo, e destacou que, até o momento, a notícia sobre os familiares de Dino sequer foi desmentida oficialmente.
Finalizando seu contundente desabafo, o apresentador repudiou o uso da máquina pública para retaliações. “A toga não proporciona poderes especiais, ou pelo menos não deveria. Dino pode contestar o conteúdo na Justiça usando o direito de resposta”, pontuou.
Oinegue encerrou a crítica com um alerta amargo sobre a censura e o uso da “mão pesada do Estado” em defesa de interesses pessoais: “Notícias sobre ministro do Supremo, se for a favor, ok. Se pisar no calo, vale uma porta arrombada”.


