Nesta semana, a atriz Mel Lisboa contou que contraiu HPV do namorado que a traía. Também durante a semana, na última quarta-feira (4/3), foi o dia internacional de conscientização contra a doença. Para trazer mais informações sobre o problema de saúde íntima, a reportagem do portal LeoDias conversou com um especialista que falou das consequências do HPV, assim como os sintomas, prevenção e tratamento.
Segundo o ginecologista Dr. Vinicius Bassega, o HPV é a sigla para Papilomavírus Humano: um grupo de vírus que pode infectar a pele e as mucosas (principalmente a região genital, anal e também boca/garganta). É uma infecção sexualmente transmissível muito comum e existem mais de 200 tipos.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Mulher segurando uma placa escrita “HPV” na região íntimaReprodução beepsaude.com.br Sistema reprodutor femininoCanva A OMS recomenda o DNA-HPV como exame primário para detectar o papilomavírus humano desde 2021.Canva
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“Na maioria das vezes, a pessoa nem percebe que tem. Ponto importante: HPV não é ‘sinônimo de câncer’. Existem tipos de baixo risco (mais ligados a verrugas) e tipos de alto risco (os chamados oncogênicos, ligados a alguns cânceres)”, explicou.
HPV e câncer
Alguns tipos de HPV estão ligados a lesões pré-cancerosas e a câncer, especialmente câncer do colo do útero. Também pode se associar a câncer de ânus, pênis, boca e garganta. O câncer costuma ser consequência de infecção persistente por tipos de alto risco, ao longo do tempo, geralmente sem sintomas no começo. Por isso que rastreamento (Papanicolau/HPV) e vacina são tão importantes.
“O HPV pode estar por trás do câncer de colo do útero, mas a grande maioria das infecções não evolui para câncer — o risco aumenta quando a infecção por tipos de alto risco persiste por anos sem ser detectada”, esclareceu.
Sintomas, prevenção e tratamento
Na maior parte das vezes, não há sintoma. A infecção costuma ser silenciosa e pode ficar “escondida” por meses ou até anos. Quando aparecem sinais, pode haver: verrugas na região genital ou anal (popularmente chamadas de “crista de galo”/“figueira”) e, em geral, não doem, mas podem causar coceira ou desconforto.
Para evitar, a principal estratégia é a vacina contra a doença, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) dos estados. Também o uso de preservativo, seja interno ou externo (ajuda a reduzir o risco, mas não zera — porque o HPV pode estar em áreas não cobertas pela camisinha, por exemplo: vulva, região pubiana e bolsa escrotal).
Exames também são fundamentais para as mulheres, como o Papanicolau (segue como grande aliado para detectar lesões do colo do útero antes de virar câncer).
Já o tratamento depende de cada caso: “Não há ‘remédio para apagar o vírus’ em todos os casos. Muitas vezes o organismo controla. Quando há lesões/verrugas, o tratamento é para eliminar as lesões. O vírus pode permanecer no organismo e as lesões podem reaparecer, então o acompanhamento é fundamental. Também é importante orientar a parceria sexual, porque pode haver HPV mesmo sem sinais visíveis”, afirmou.
No final da entrevista, o médico falou que o contato com o HPV ao longo da vida é “extremamente alta entre pessoas sexualmente ativas. Modelos epidemiológicos e estudos populacionais indicam que mais de 80% das mulheres e mais de 90% dos homens terão contato com HPV em algum momento da vida, considerando pelo menos um parceiro sexual”.


