3 de junho de 2026

Cientistas brasileiros são premiados por pesquisas sobre Alzheimer

Cientistas brasileiros são premiados por pesquisas sobre Alzheimer
Mychael Lourenço. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Dois cientistas brasileiros vêm ganhando destaque internacional por pesquisas sobre o Alzheimer, uma das doenças mais desafiadoras da medicina. Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foram reconhecidos por organizações internacionais por suas contribuições científicas.

Lourenço recebeu o prêmio ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, voltado a pesquisadores em meio de carreira com resultados relevantes. Já Brum foi reconhecido pela Alzheimer’s Association como “Next One to Watch”, destacando jovens cientistas promissores.

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Atualmente, cerca de 40 milhões de pessoas vivem com Alzheimer no mundo. No Brasil, a estimativa é de aproximadamente 2 milhões de casos, número que pode ser maior devido à dificuldade de diagnóstico. A doença é progressiva e compromete memória, raciocínio, comunicação e, em estágios avançados, a autonomia do paciente.

Entre os focos das pesquisas está a compreensão dos mecanismos que levam ao desenvolvimento da doença. Desde o início do século XX, sabe-se que o Alzheimer está associado ao acúmulo de proteínas no cérebro, como a beta-amiloide e a tau. No entanto, mesmo com avanços, ainda há lacunas sobre como esse processo evolui.

No laboratório coordenado por Lourenço, os estudos buscam entender por que algumas pessoas desenvolvem a doença enquanto outras, mesmo com alterações no cérebro, não apresentam sintomas. Além disso, os pesquisadores investigam formas de estimular mecanismos naturais do organismo que ajudam a eliminar essas proteínas.

Outra frente importante é o diagnóstico precoce. Lourenço lidera estudos que avaliam biomarcadores no sangue, com o objetivo de identificar a doença antes do surgimento dos sintomas.

Wagner Brum. Foto: AAIC/Divulgação.

Já o trabalho de Brum se destaca justamente nessa área. Ele desenvolveu protocolos para viabilizar o uso clínico de exames de sangue capazes de detectar o Alzheimer por meio de biomarcadores, como a proteína p-tau217. A proposta pode tornar o diagnóstico mais acessível e preciso.

Apesar de já utilizado em alguns países, o exame ainda é pouco disponível no Brasil e não integra o Sistema Único de Saúde (SUS). Pesquisadores esperam que novos estudos ampliem o acesso e contribuam para melhorar o diagnóstico e o tratamento da doença.

As pesquisas reforçam o papel da ciência brasileira no cenário internacional e apontam caminhos promissores para enfrentar uma condição que ainda não tem cura, mas que pode, no futuro, ser detectada e controlada com mais eficiência.

Fonte: Agência Brasil.