A última convocação da Seleção Brasileira de Futebol antes da lista definitiva da Copa do Mundo de 2026 redefine cenários que antes pareciam bem encaminhados. Ao anunciar os nomes para os amistosos contra França e Croácia, o técnico Carlo Ancelotti acabou revelando uma mudança silenciosa no mapa de forças da equipe, pois jogadores antes considerados candidatos naturais ao Mundial passaram a correr risco real de corte, enquanto novas apostas ganharam terreno na disputa pelas últimas vagas.
Paquetá perde protagonismo e vê vaga ameaçada
Um dos casos mais simbólicos é o do meia Lucas Paquetá. Durante boa parte do ciclo recente da seleção, o jogador era visto como uma peça consolidada no meio-campo brasileiro. No entanto, o cenário mudou.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Carlo Ancelotti fala sobre necessidade de evolução física de Neymar para convocação; jogador ficou fora dos amistososReprodução: YouTube/CBF Neymar em Santos e Fortaleza, no estádio da Vila BelmiroFotos: Raul Baretta/ Santos FC Endrick brilha em vitória do Lyon na Ligue 1 / Reprodução: Instagram @endrick O meio-campista está com a Seleção Brasileira para os amistosos contra Senegal e Tunísia.Reprodução/@lucaspaqueta Gabriel JesusReprodução Richarlison no treino com a Seleção BrasileiraFoto: @rafaelribeirorio I CBF
Voltar
Próximo
Leia Também
Esportes
“45 minutos podem custar um sonho de infância”, diz Casemiro após a derrota do Brasil
Esportes
“Acabou o futebol por causa das redes sociais”, diz Renato ao se demitir do Fluminense
Esportes
“Amistoso de verão”: presidente da LaLiga critica Mundial e pede fim da competição
De volta ao Flamengo, Paquetá atravessa um processo de readaptação ao futebol brasileiro e tem sido alvo de críticas por oscilações de desempenho. O jogador perdeu protagonismo dentro do próprio clube e já não aparece com a mesma força nas discussões sobre o elenco da Seleção.
A ausência na última convocação antes da Copa reforça a impressão de que, neste momento do ciclo, o meia está mais distante da lista final do que parecia há poucos meses.
Neymar corre contra o tempo
A situação de Neymar é ainda mais delicada. O atacante segue fora das listas de Ancelotti e carrega uma sequência de problemas físicos desde a grave lesão sofrida em 2023.
Mesmo após retornar aos gramados pelo Santos, o camisa 10 ainda não conseguiu demonstrar desempenho convincente em partidas de maior exigência competitiva. Em jogos que exigem intensidade, imposição física e protagonismo técnico, o atacante não tem repetido o impacto que marcou sua carreira. Esse cenário coloca o jogador em uma posição cada vez mais improvável dentro da corrida pela convocação final.
Disputa no gol ganha nova dúvida
No gol, a convocação também trouxe um sinal importante da comissão técnica. A ausência de Hugo Souza e a presença de Bento reforçam que a disputa pela terceira vaga entre os goleiros ainda está aberta.
Com Alisson Becker e Ederson Moraes praticamente consolidados como as principais opções, a vaga restante permanece como um ponto de interrogação no grupo que seguirá para a Copa.
Centroavantes conhecidos perdem força
O ataque também passa por uma redefinição importante. Jogadores que fizeram parte de ciclos anteriores da seleção começam a perder espaço no planejamento da comissão técnica.
Casos como os de Richarlison e Gabriel Jesus ilustram bem esse movimento. Ambos já foram titulares e nomes de confiança em períodos recentes da seleção brasileira, mas hoje aparecem mais distantes da disputa direta por uma vaga. A falta de regularidade em clubes e a busca de Ancelotti por novos perfis ofensivos reduziram as chances da dupla na corrida pelo Mundial.
Outro jogador que parece ter perdido terreno é Igor Jesus. O atacante viveu um momento de ascensão no último ciclo da seleção e chegou a receber oportunidades como titular em algumas partidas. No entanto, a queda de espaço recente no radar da comissão técnica indica que sua presença na lista final também se tornou menos provável.
Novas apostas ganham terreno
Enquanto alguns nomes tradicionais se afastam da Copa, outros surgem como candidatos mais fortes justamente na reta final do ciclo.O atacante Igor Thiago aparece como uma das principais novidades. Em boa fase no Brentford Football Club, o centroavante tem características que agradam à comissão técnica, especialmente pela presença física e pela capacidade de atuar como referência ofensiva. Outro nome que ganhou espaço foi o jovem Rayan, que surge como aposta de velocidade e profundidade no setor ofensivo.
O teste final de Endrick
Entre os jovens que já orbitavam o elenco, Endrick talvez represente a disputa mais simbólica desta reta final. O atacante aparece como um dos nomes mais promissores da nova geração, mas ainda precisa confirmar seu espaço diante da concorrência no setor ofensivo.
A convocação para os amistosos funciona, na prática, como uma última vitrine para convencer a comissão técnica de que merece estar entre os escolhidos para o Mundial.
Defesa em transição abre novas disputas na Seleção
Na defesa , a reta final do ciclo também abriu novas disputas por vagas. Um dos casos mais emblemáticos é o de Fabrício Bruno, que ganhou destaque ainda sob o comando de Dorival Júnior ao estrear com boas atuações e rapidamente passar a ser visto como um dos zagueiros mais consistentes em atividade no futebol brasileiro. Já na era de Carlo Ancelotti, porém, o defensor teve um erro marcante em amistoso contra o Japão. Apesar da falha, ainda voltou a ser convocado na lista seguinte, mas agora aparece fora e em um momento de menor força dentro da disputa. Nesse cenário, surgem novas alternativas para o setor, e Léo Pereira ganha uma oportunidade relevante de se firmar entre os nomes observados pela comissão técnica.
A lateral direita também virou um ponto de atenção. A presença de Danilo indica que Ancelotti pode estar avaliando alternativas defensivas para a posição, especialmente porque Wesley França tem características mais ofensivas. O momento do jogador ajuda a explicar esse movimento: após um fim de temporada marcante pelo Flamengo, com atuações decisivas na final da Libertadores e na campanha do Mundial pelo Flamengo, Danilo voltou a ganhar força no radar da Seleção, mesmo depois de ter sido tratado como um nome em fim de ciclo pouco tempo atrás.
Caso tenha bom desempenho nos amistosos, pode até surgir como opção de titular quando o treinador optar por sua linha defensiva tradicional de quatro jogadores. A situação do setor ainda envolve a recuperação de Éder Militão, que retorna de lesão sem garantia de como chegará ao Mundial, enquanto Paulo Henrique, do Vasco da Gama, perdeu espaço após queda de rendimento no clube, mesmo tendo vivido um momento de destaque quando foi convocado anteriormente.
Uma corrida que mudou de direção
A convocação mais recente deixou claro que a lista final da Seleção ainda não está completamente fechada. Embora exista uma base consolidada, várias posições permanecem em aberto.
Nesse cenário, a disputa deixou de ser apenas uma competição entre nomes tradicionais. O momento atual de cada jogador, entre rendimento, sequência em clubes e capacidade de adaptação ao modelo de jogo de Ancelotti, passou a pesar mais do que o histórico recente na seleção.
Para alguns atletas, o ciclo parece estar se encerrando antes da Copa. Para outros, a oportunidade de disputar o maior palco do futebol mundial talvez esteja surgindo justamente agora.


