A poucos dias do júri popular, marcado para a próxima segunda-feira (23/3), a defesa do ex-vereador Dr. Jairinho se manifestou sobre o caso Henry Borel e contestou as acusações feitas pelo pai do menino, Leniel Borel, em entrevista exclusiva ao portal LeoDias. O advogado Rodrigo Faucz afirmou que o réu tem interesse na realização do julgamento e que a estratégia da defesa não é adiar o processo, mas garantir acesso integral às provas.
Segundo o defensor, Jairinho deseja que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri para encerrar o período de incerteza vivido desde a morte da criança. O advogado argumentou que a equipe jurídica ainda não teve acesso a documentos considerados fundamentais, mesmo após decisões judiciais que teriam autorizado a produção e a entrega dessas provas. Para ele, realizar o julgamento sem esse material comprometeria o direito à ampla defesa e a lisura do processo: “Ele quer que seja levado a julgamento, só que acontece que, até hoje, não tivemos acesso a provas fundamentais e que já foram deferidas. Como vamos fazer um júri às cegas? Aqui, a gente ainda precisa ficar discutindo… Falam: ‘Estão adiando o julgamento’. Então, nos dê todas as provas que tiveram acesso. Vamos fazer um julgamento limpo e justo”, argumentou.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho na época em que era políticoFoto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio de Janeiro Henry BorelFoto: Arquivo pessoal Leniel com a filha, ValentinaFoto: Vinicius Bezha/Agência Transbrasat Monique MedeirosImagem: Brunno Dantas/TJRJ/Divulgação Henry Borel foi levado desacordado ao Hospital Barra D’Or, mas não resistiu e faleceuFoto: Arquivo pessoal
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Durante a manifestação, o advogado Rodrigo também levantou dúvidas sobre a condução das perícias que apontaram múltiplas lesões no corpo de Henry. De acordo com ele, dados extraídos por meio do software forense Cellebrite indicariam conversas que, na visão da defesa, demonstrariam tentativa de interferência nos procedimentos periciais após a morte do menino. “O que o Cellebrite comprovou foi que quem tentou interferir nos procedimentos após a morte do menino, e conseguiu, foi o senhor Leniel Borel. Há conversas inequívocas que comprovam que ele conversou e alinhou versões com os peritos do IML. Isso é gravíssimo”, explicou.
A defesa sustentou ainda que laudos posteriores teriam passado a indicar agressões ocorridas dentro do apartamento apenas semanas depois da liberação do corpo, o que, segundo ele, precisa ser esclarecido. “Os laudos periciais passam a dizer que ocorreram múltiplas lesões dentro do apartamento, feitos mais de 40 dias depois que o corpo estava liberado e sem qualquer exame. E o mais importante: bem no período posterior, quando se tem essa comprovação de que ele alinhou com peritos para que fizessem modificações nos laudos, apontando para que houvesse agressão.”
Versão apresentada por Jairinho
A defesa também reiterou a versão já apresentada pelo réu ao longo do processo. De acordo com Faucz, Jairinho teria relatado que estava dormindo após tomar medicação quando foi acordado por Monique Medeiros informando que Henry passava mal. Em seguida, segundo o advogado, o casal teria levado a criança ao hospital em busca de atendimento.
Outro ponto enfatizado pela defesa diz respeito à lesão hepática apontada como causa da morte. O advogado afirmou que, conforme interpretação apresentada pela equipe técnica, esse tipo de lesão poderia ter ocorrido entre 24 e 48 horas antes do óbito, período em que o menino teria estado sob os cuidados do pai. “Então, quem tem que esclarecer é o pai. Quem tinha que investigar adequadamente seria a polícia, a acusação”. Ainda assim, o defensor ressaltou que a intenção não é atribuir responsabilidade criminal a terceiros, mas questionar o que considera lacunas na investigação. “O laudo é o que comprova. O laudo mostra que não ocorreram lesões. O que não aconteceu foram agressões por parte do Jairinho”, finalizou.
As declarações surgem após Leniel Borel afirmar, em entrevista exclusiva ao portal LeoDias, que acredita na condenação de Jairinho e Monique Medeiros e que o filho teria sido vítima de violência extrema dentro do apartamento onde estava com a mãe e o padrasto.
Com a proximidade do júri popular, o caso volta a ganhar destaque e a intensificar o embate de versões entre acusação e defesa. A expectativa é que o julgamento reúna depoimentos de testemunhas, análise de provas periciais e a avaliação do conjunto probatório por parte dos jurados.
O portal LeoDias segue acompanhando o caso e mantém espaço aberto para manifestações das partes envolvidas.


