A morte do estudante de medicina Jefferson Alves Pinto, de 23 anos, está sendo investigada após ele passar mal e morrer durante atendimento no Hospital do Alto Acre, em Brasiléia, na quinta-feira (26). A família acusa a unidade de saúde de negligência e registrou boletim de ocorrência para apurar o caso.
A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) informou, por meio de nota, que a causa da morte ainda não foi definida e será esclarecida por investigação clínica. “A Secretaria já iniciou apuração interna, podendo o caso ser encaminhado às instâncias competentes, e reafirma seu compromisso com a transparência, a apuração dos fatos e a solidariedade aos familiares”, afirmou.
Natural de Rondônia, o jovem morava em Brasiléia enquanto cursava medicina em uma instituição particular na Bolívia. O corpo foi encaminhado ao estado de origem, com previsão de chegada na manhã deste sábado (28).
Segundo familiares, houve dificuldade no acesso a informações médicas. Ao procurar o hospital, a tia do estudante, Liliaine Alves, relatou que não conseguiu obter detalhes sobre o atendimento nem acesso ao prontuário.
“Ninguém quis falar comigo sobre o óbito, como foi e o que tinha acontecido. Pedi para ver os prontuários também, se negaram, aí fui até à Polícia Civil e abrimos uma investigação contra o hospital porque acredito que houve negligência em vários aspectos. Pedimos uma autópsia, que foi feita aqui em Rio Branco”, complementou.
De acordo com o namorado de Jefferson, Júnior Cavalcante, o estudante começou a sentir fortes dores de cabeça na quarta-feira (25), mas manteve a rotina e foi à faculdade. À noite, decidiu procurar atendimento médico após a piora dos sintomas.
“Eu acho que demorou mais ou menos uma hora para ele ser atendido. Colocaram na veia dele dipirona com algo mais, que não lembro. Então, foi liberado. Voltamos para casa e ele decidiu descansar. Eu fui embora e ele ficou só em casa”, disse.
Horas depois, já na madrugada de quinta-feira (26), o jovem retornou ao hospital sozinho. “Só que eu já estava dormindo e não escutei a ligação, nem a mensagem que estava mandando para ir [com ele]. Então, ele foi sozinho”, complementou.
Durante o novo atendimento, ele foi medicado novamente e colocado em observação, mas o companheiro afirma que não teve acesso às informações sobre o que foi administrado.
“Só que eu não sei com o que foi no soro, pois não quiseram mostrar o prontuário. Esse é o detalhe, não sei [os medicamentos] porque não dizia [o que foi administrado] e não quiseram mostrar e nem dizer quem era o médico que estava”, detalhou.
Ainda segundo relato, uma pessoa que estava no local afirmou que o estudante apresentou piora sem atendimento imediato. O quadro evoluiu para convulsões, seguidas de tentativas de reanimação que não tiveram sucesso.
“Eles chamavam o médico e não vinha. Aí ele começou a convulsionar, passar mal e parece que começou a delirar. Ele caiu do lugar onde estava tomando soro e ficou ali no chão. A moça pensou que ele estava dormindo, só que eu acho que já era a convulsão e, provavelmente, faleceu ali”, lamentou Júnior.
O delegado Erick Maciel confirmou a abertura de inquérito para investigar o caso. Segundo ele, exames mais detalhados foram solicitados para identificar a causa da morte, além do pedido do prontuário médico à unidade de saúde.
“Foi feito o registro aqui na delegacia. De diligências iniciais, encaminhamos o corpo para Rio Branco para exames mais detalhados que apontem a causa da morte, requeremos à unidade de saúde o prontuário médico da vítima para verificarmos se houve ou não negligência médica”, destacou.
As investigações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte e possíveis responsabilidades.
Com informações do G1 Acre.


