A administração de Donald Trump anunciou, nesta quarta-feira (18), uma nova exigência para estrangeiros que desejam entrar nos Estados Unidos. A partir de agora, cidadãos de 50 países precisarão pagar uma caução de US$ 15 mil (cerca de R$ 78 mil) para dar entrada em pedidos de visto.
A informação foi divulgada por meio das redes sociais do Departamento de Estado, órgão responsável pelos processos consulares. De acordo com a publicação, a medida se aplica a vistos de turismo e negócios e tem como finalidade conter irregularidades migratórias, especialmente casos de pessoas que permanecem no país após o vencimento da autorização.
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“O Departamento de Estado está mantendo as fronteiras dos Estados Unidos seguras e prevenindo a permanência ilegal após o vencimento do visto. Em breve, cidadãos de 50 países precisarão fornecer uma caução de US$ 15.000 para vistos de negócios e turismo — valor que será devolvido àqueles que cumprirem os termos do visto e retornarem para casa no prazo”, afirma a mensagem.
Antes da confirmação oficial, a agência Reuters já havia antecipado a decisão, citando um integrante do governo que falou sob anonimato. Segundo ele, a nova regra começa a valer em 2 de abril.
A política de exigir um depósito financeiro como garantia já havia sido apresentada em agosto de 2025 e afeta diretamente os vistos B-1 (negócios) e B-2 (turismo e tratamento médico). Em janeiro deste ano, o governo ampliou a lista de países contemplados — inclusive com nações classificadas para a Copa do Mundo que será realizada em território norte-americano, além de Canadá e México.
O Brasil não integra o grupo de países afetados. Nesta quarta, outros 12 foram incluídos no programa: Camboja, Etiópia, Geórgia, Granada, Lesoto, Maurícias, Mongólia, Moçambique, Nicarágua, Papua Nova Guiné, Seicheles e Tunísia.
Eles se somam a uma lista anterior de 38 nações, em sua maioria africanas, que já estavam sujeitas à mesma exigência, como Angola, Nigéria, Senegal, Cuba, Nepal e Venezuela, entre outras.
A nova determinação faz parte de um pacote mais amplo de medidas adotadas por Trump em seu segundo mandato, marcado pelo endurecimento das regras migratórias. Entre as iniciativas estão aumento de taxas, maior controle sobre candidatos e até suspensão de vistos em determinados casos.
Uma das mudanças mais impactantes foi a criação de uma taxa de US$ 100 mil para o visto H-1B, voltado a profissionais estrangeiros altamente qualificados, como engenheiros e programadores. A medida entrou em vigor em setembro de 2025 e, segundo a Casa Branca, busca incentivar a contratação de trabalhadores americanos — embora especialistas alertem para o risco de afastar talentos internacionais.
Além disso, o governo lançou, em dezembro do mesmo ano, o chamado “gold card”, que oferece residência permanente a estrangeiros com alto poder de investimento. Para obter o benefício, indivíduos precisam aplicar US$ 1 milhão, enquanto empresas devem investir US$ 2 milhões para garantir a permanência de funcionários estrangeiros, além de uma taxa inicial de US$ 15 mil.
No campo da fiscalização, também houve mudanças significativas. Desde junho de 2025, estudantes estrangeiros que solicitam visto devem manter seus perfis em redes sociais abertos para análise das autoridades. A intenção é identificar “qualquer indício de hostilidade” contra os Estados Unidos.
Outra proposta apresentada posteriormente prevê a ampliação dessa exigência para turistas de países que atualmente não precisam de visto, obrigando-os a apresentar o histórico de redes sociais dos últimos cinco anos.
As entrevistas presenciais também passaram a ser mais frequentes. Desde outubro de 2025, menores de 14 anos e pessoas com mais de 79 precisam comparecer pessoalmente para solicitar o visto, salvo exceções — regra que vale inclusive para brasileiros.
O endurecimento inclui ainda a revogação em massa de vistos. Desde o início do segundo mandato, mais de 100 mil autorizações já foram canceladas, segundo dados oficiais.
Em outra frente, o governo também proibiu a entrada de cidadãos de 19 países, com restrições implementadas entre junho e dezembro de 2025 e válidas desde o começo de 2026. A maioria das nações afetadas está localizada no continente africano.
Segundo Trump, as medidas têm como foco a segurança nacional, o combate ao terrorismo e o controle mais rígido da imigração.


