4 de junho de 2026

Filho de ministro do STF recebeu pagamentos de consultoria ligada ao Banco Master, aponta relatório

Filho de ministro do STF recebeu pagamentos de consultoria ligada ao Banco Master, aponta relatório

Um novo capítulo envolvendo movimentações financeiras milionárias ligadas a grandes empresas e o Judiciário veio à tona nesta semana. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que uma empresa de consultoria recebeu cerca de R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS — e parte desse valor acabou sendo repassada ao filho do ministro do Supremo Tribunal Federal, Kássio Nunes Marques.

De acordo com as informações, os repasses ocorreram entre agosto de 2024 e julho de 2025. Desse total, aproximadamente R$ 6,6 milhões vieram do Banco Master e outros R$ 11,3 milhões da JBS, todos destinados à empresa Consult Inteligência Tributária.

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O ponto que chamou a atenção dos órgãos de controle foi o fato de que essa mesma consultoria declarou um faturamento muito inferior — cerca de R$ 25,5 mil no período — o que levantou suspeitas sobre a compatibilidade das movimentações financeiras.

Segundo o relatório, a empresa realizou ao menos 11 transferências para o advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro do STF. Os pagamentos somam cerca de R$ 281 mil e foram feitos ao escritório do próprio advogado.

O Coaf apontou que os valores movimentados pela consultoria são considerados “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa, indicando a possibilidade de uso da estrutura para circulação de recursos de origem não formal.

Em resposta, Kevin Marques afirmou que os valores recebidos são legais e resultado de serviços prestados na área tributária. Já a consultoria informou que os pagamentos correspondem à contratação de serviços técnicos e de assessoria jurídica.

A JBS declarou que contrata consultorias para lidar com a complexidade do sistema tributário brasileiro. O Banco Master, até o momento das publicações, não havia se manifestado oficialmente.

O ministro Kássio Nunes Marques também foi procurado, mas não comentou o caso.

O caso ganha ainda mais repercussão por envolver uma instituição financeira que já é alvo de investigações da Polícia Federal e por levantar questionamentos sobre a origem e o destino dos recursos movimentados.

A análise dos dados agora pode aprofundar investigações sobre possíveis irregularidades financeiras e conexões entre empresas privadas e figuras públicas no país.