16 de junho de 2026

Governo pede investigação sobre alta dos combustíveis

Governo pede investigação sobre alta dos combustíveis
Foto: Marcello Casal JR/Agência Brasil.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a abertura de investigação sobre recentes aumentos nos preços dos combustíveis em postos de diferentes regiões do país. O pedido foi encaminhado nesta segunda-feira (10).

Segundo o órgão, os reajustes foram registrados em estabelecimentos localizados na Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. A solicitação ocorreu após sindicatos do setor relatarem elevação nos preços praticados por distribuidoras nesses locais.

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De acordo com os representantes do setor, os aumentos teriam ocorrido mesmo sem anúncio de reajuste nos valores dos combustíveis vendidos pela Petrobras em suas refinarias. Ainda segundo os sindicalistas, a justificativa apresentada por algumas distribuidoras seria a alta do petróleo no mercado internacional, influenciada pelos recentes ataques registrados no Oriente Médio.

“Diante desse cenário, a Senacon solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado, e que podem indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes”, diz a Senacon, em nota.

Entidades do setor também têm manifestado preocupação com os impactos do cenário internacional sobre os preços no Brasil. Em publicação nas redes sociais, o SindiCombustíveis da Bahia destacou a pressão do mercado global sobre os valores praticados no país.

“O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado as cotações do petróleo no mercado internacional e já provoca reflexos no Brasil”, escreveu a entidade.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos RN) também comentou o tema. Em postagem recente, a entidade afirmou que o cenário externo já começa a afetar o mercado nacional.

“O conflito já começa a refletir na alta do preço do petróleo no mercado internacional, acendendo um sinal de atenção para o setor de combustíveis no Brasil”.

Em Minas Gerais, o Minaspetro alertou para a defasagem nos valores praticados no mercado. Segundo a entidade, a diferença no preço do diesel já ultrapassa R$ 2, enquanto na gasolina chega perto de R$ 1.

“As companhias estão restringindo a venda e praticando preços exorbitantes, principalmente para os revendedores marca própria. Já há relatos de postos totalmente secos em Minas Gerais. O Minaspetro está monitorando a situação e irá acionar os órgãos reguladores para mitigar o risco de desabastecimento”, informou o sindicato.

No estado de São Paulo, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo (Sincopetro) também acompanha o aumento dos preços. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da entidade, José Alberto Gouveia, afirmou que a investigação solicitada ao Cade pode trazer esclarecimentos importantes para o setor.

“O que não pode é o dono do posto levar a culpa como estão tentando fazer. Ele não aumentou porque ele quis, ele aumentou porque aumentou o preço para ele também. Então essa explicação para nós é muito importante”, disse ele.

Fonte: Agência Brasil.