O Superior Tribunal de Justiça remarcou para o dia 15 de abril o julgamento do governador do Acre, Gladson Cameli (PP), que responde a uma ação penal por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.
O processo começou a ser analisado em dezembro do ano passado pela Corte Especial do STJ. Na ocasião, a relatora, ministra Nancy Andrighi, votou pela condenação do governador. Em seguida, o ministro João Otávio Noronha pediu vista para analisar melhor o caso, o que levou à suspensão do julgamento.
A retomada está prevista para abril, já com o voto do ministro revisor. Até o momento, o governador não comentou sobre o novo agendamento.
Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal formou maioria, em dezembro de 2025, para anular parte das provas utilizadas no processo. A decisão atende a um pedido da defesa, que alegou irregularidades na condução das investigações, especialmente por suposta violação do foro privilegiado.
O relator do caso no STF, ministro Edson Fachin, votou contra a anulação, mas foi vencido pela divergência aberta por André Mendonça, que considerou ilegais provas obtidas entre maio de 2020 e janeiro de 2021. O entendimento foi acompanhado por Nunes Marques e Dias Toffoli. Ainda falta o voto do ministro Gilmar Mendes.
Além disso, medidas cautelares contra o governador foram prorrogadas por mais 180 dias. Entre elas estão a proibição de contato com outros investigados e testemunhas, retenção do passaporte, impedimento de sair do país e bloqueio de bens.
A investigação teve início em 2019, no âmbito da Operação Ptolomeu, conduzida pela Polícia Federal. O caso apura supostas irregularidades em contratos firmados pelo governo do Acre com a empresa Murano, de Brasília, que teria subcontratado outra empresa ligada a familiares do governador.
Segundo as acusações, o esquema teria favorecido financeiramente envolvidos e causado prejuízos aos cofres públicos. Mesmo após se tornar réu, Camelí permaneceu no cargo.
Recentemente, o governador também formalizou sua renúncia para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026, com saída prevista para o dia 2 de abril.


