24 de junho de 2026

MPF investiga desmatamento, criação de gado e invasão em terra indígena no interior do Acre

MPF investiga desmatamento, criação de gado e invasão em terra indígena no interior do Acre
Foto: Siã Huni Kuin / Askarj

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento para investigar denúncias de invasão na Terra Indígena Huni Kuin (Kaxinawá) Seringal Independência, localizada no município de Jordão. A apuração busca verificar a atuação de grileiros e madeireiros suspeitos de promover desmatamento, extração de madeira e criação de gado dentro da área indígena.

Segundo as denúncias apresentadas por organizações indígenas da região, cerca de 200 hectares de floresta já teriam sido derrubados, o que equivale a mais de 250 campos de futebol. Lideranças locais afirmam que os invasores também instalaram estruturas dentro do território, incluindo moradias, acesso à internet e instalações para manter mais de 600 cabeças de gado.

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Informações encaminhadas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) ao MPF indicam que análises de imagens geoespaciais já apontavam, desde agosto de 2025, a ampliação das áreas desmatadas dentro da terra indígena. Para o órgão, a situação representa danos significativos tanto aos direitos territoriais do povo Huni Kuin quanto ao equilíbrio ambiental da região. A Funai informou ainda que disponibilizou agentes para planejar uma ação conjunta em resposta às denúncias feitas pelas comunidades.

Extração de madeira e caça ilegal

De acordo com a liderança indígena Siã Huni Kuin, responsável por cerca de 37 aldeias na região, os invasores estariam explorando principalmente madeiras consideradas nobres, como aguano e cedro, bastante valorizadas no mercado por sua resistência e durabilidade.

Além do desmatamento e da retirada ilegal de madeira, as denúncias apontam ainda a prática de caça de animais silvestres com o uso de cães, atividade que teria sido identificada durante uma vistoria realizada por representantes indígenas no local.

Denúncia formal e preocupação com avanço de crimes

Foto: Siã Huni Kuin / Askarj

A denúncia mais recente foi formalizada pela Associação dos Seringueiros Kaxinawá do Rio Jordão (Askarj), entidade responsável juridicamente pela Terra Indígena Seringal Independência e por outras áreas indígenas da região. De acordo com relatório da associação, parte da madeira retirada ilegalmente foi transportada pelo Rio Jordão no início de janeiro de 2026.

O caso também está sendo acompanhado pela Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj). O coordenador da entidade, Francisco Pyãko, alerta para o aumento da pressão de atividades ilegais na região de fronteira com o Peru, como exploração madeireira, garimpo e até a presença de organizações criminosas.

Além da investigação sobre a invasão, o MPF também acompanha o cumprimento de uma decisão judicial que determinou à Funai a instalação de placas para sinalizar os limites da terra indígena. A medida foi determinada após uma ação movida pelo órgão em 2023 e tem como objetivo reforçar a proteção do território e evitar novas invasões.

Informações via O Globo.