Nesta quarta-feira (4/3), quando é celebrado o Dia Mundial da Obesidade, os dados acendem um alerta. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da World Obesity Federation, cerca de 68% da população adulta brasileira vive com excesso de peso, sendo 31% já classificada com obesidade. O avanço da doença eleva o risco de problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão e outras condições crônicas associadas ao IMC elevado.
Diante desse cenário, cresce a procura por tratamentos eficazes e menos invasivos. Entre eles está a gastroplastia endoscópica, técnica realizada sem cortes e que reduz o volume do estômago por meio de suturas internas feitas por endoscopia.
Em entrevista ao portal LeoDias, o gastrocirurgião e endoscopista Dr. Eduardo Grecco, professor da Faculdade de Medicina do ABC, explica que, apesar de ser pouco conhecida, a técnica já é reconhecida internacionalmente e vem sendo aplicada no Brasil desde 2017.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Gastroplastia endoscópicaFoto: Divulgação Gastroplastia endoscópicaFoto: Divulgação ObesidadeFreepik Unicef diz que há mais jovens com obesidade do que desnutridos.Foto: Pexels Especialista explica papel da semaglutida, do Ozempic, no tratamento da obesidadeReprodução: Freepik
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“Nós desenvolvemos uma técnica, uma técnica mundialmente já reconhecida desde 2011, 2013 na Europa, 2014 nos Estados Unidos e aqui no Brasil desde 2017. Essa técnica vem sendo realizada que é a gastroplastia endoscópica ou a sutura endoscópica”, contou.
Como funciona a gastroplastia endoscópica?
O procedimento é feito totalmente por endoscopia, com acesso pela boca, sem cortes externos ou retirada de parte do estômago.
“É uma técnica endoscópica para combater a obesidade. O paciente realiza uma endoscopia e por essa endoscopia existe um mecanismo de costura, uma sutura do estômago. Esse estômago é reduzido. O volume dele, o nosso estômago mais ou menos, gira em torno de 1300 a 1500 ml, levando a um estômago com cerca de 250 a 300 ml de capacidade”, explicou o gastrocirurgião e endoscopista Dr. Eduardo Grecco.
A técnica é considerada restritiva, pois diminui a capacidade do estômago e aumenta a saciedade.
“Com essa redução, o estômago menor do paciente tem uma maior saciedade. E ao longo do tempo, ele vai atingir uma meta em torno de 20 a 25% de perda do seu peso realizando essa técnica.”
Diferença para a bariátrica
Embora seja comparada à cirurgia bariátrica, a gastroplastia não altera o intestino nem interfere na absorção de nutrientes.
“Ela é segura, menos invasiva, super eficaz, com baixíssimas complicações, muito pouco risco de complicação quando você compara com a cirurgia. Na cirurgia você tem uma ação metabólica, na cirurgia o paciente modifica o caminho, o trajeto, mexe com o intestino, aqui não”, explica o gastrocirurgião endoscopista.
Ele destaca ainda que não há necessidade de suplementação contínua:
“Então nessa técnica não existe necessidade de reposição vitamínica, de tomar suplementações para o resto da vida, porque você não altera a absorção.”
Para quem é indicada?
A técnica é indicada principalmente para pacientes com sobrepeso (IMC acima de 27) e obesidade leve (IMC entre 30 e 35), além de pessoas que não desejam ou não podem se submeter à cirurgia bariátrica.
“Esses pacientes se beneficiam com essa perda de peso de 20 a 25%. Existem pacientes super obesos, maiores, MCs maiores, e aí às vezes não tem condição cirúrgica ou não querem operar, também podem realizar essa técnica, que é uma técnica novamente 100% endoscópica.”
Recuperação rápida
O procedimento dura cerca de 40 minutos e o paciente tem alta hospitalar no mesmo dia.
“Esse paciente faz o procedimento e vai para casa no mesmo dia, é um paciente de hospital dia, fica em casa dois a três dias de um repouso relativo e depois volta à sua vida normal. Com pouquinha dor, um desconforto, mas volta às suas atividades de uma maneira normal.”
A durabilidade também é um ponto de destaque.
“Uma durabilidade hoje de cerca de 3 anos que o paciente se mantém com essa perda de peso. Isso é muito importante. É muito importante essa questão da durabilidade. Porque o grande perigo hoje na obesidade se chama reganho de peso.”
E as canetas emagrecedoras?
Os medicamentos injetáveis para obesidade, conhecidos popularmente como “canetas”, também são alternativa terapêutica, mas exigem uso contínuo.
“É preciso pelo menos dois anos de uso desse tipo de medicação para que o paciente atinja uma perda de peso igual a essa, igual a da gastroplastia. Não atinge. Com as canetas, eles têm uma perda menor, 10%, 12%, 15%. E se parar, é caro. O custo é muito alto.”
Ele faz um alerta sobre a importância do acompanhamento médico:
“É muito importante você passar por um médico, passar por um profissional e você entender as técnicas de qual vai ser esse seu melhor perfil.”
Disponibilidade no Brasil
Atualmente, o procedimento é oferecido apenas na rede privada.
“A gastroplastinoscópica está totalmente disponível no Brasil, por enquanto, no serviço privado. O SUS ainda não atinge isso, tá certo? Então, já tem uma disponibilidade, já tem a sua aprovação e já são realizadas no Brasil cerca de mais ou menos uns 10 mil procedimentos.”


