Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o momento em que pesquisadores registram o encontro com uma nova espécie de ave na região da Serra do Divisor, no Acre. O registro foi publicado pelo pesquisador brasileiro Luis Morais, doutorando do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e revela detalhes da descoberta da chamada sururina-da-serra, espécie recentemente descrita pela ciência.
As imagens foram gravadas em uma área de floresta montana na Serra do Divisor, região localizada na fronteira entre o Acre e o Peru. No vídeo, Morais explica que estava no local realizando estudos sobre aves do gênero Neomorphus quando decidiu investigar a origem de um canto misterioso que havia sido registrado anteriormente por outros pesquisadores.
Durante alguns dias de busca na mata, o pesquisador conseguiu identificar um som incomum que ecoava pelas encostas da serra. Segundo ele, o canto confundia completamente a percepção de direção e distância, dificultando a localização da ave responsável pela vocalização.
Para tentar atrair o animal, Morais utilizou uma técnica baseada em design de som, reproduzindo e simulando o canto ouvido anteriormente. A estratégia deu resultado: pouco tempo depois, um inhambu apareceu caminhando pelo chão da floresta e começou a cantar a poucos metros do pesquisador.
No vídeo, Morais relata que o encontro foi um dos momentos mais impressionantes de sua carreira. Ele descreve a ave com coloração ferrugem, dorso fosco e uma coroa cinza na cabeça, formando uma espécie de máscara — características que não correspondiam a nenhuma espécie conhecida até então.
Além da aparência, o canto também chamou a atenção dos cientistas. De acordo com o pesquisador, a vocalização da ave possui notas longas e ressonantes que evoluem para uma sequência complexa de modulações.
Após o primeiro registro, novas expedições foram realizadas na região. Com análises detalhadas e estudos feitos em conjunto com outros especialistas, os pesquisadores confirmaram que se tratava de uma espécie inédita para a ciência, posteriormente descrita como a sururina-da-serra.
Morais explica que descobertas desse tipo são consideradas raras na ornitologia, área dedicada ao estudo das aves. Segundo ele, atualmente a maioria das “novas espécies” identificadas costuma resultar apenas de reclassificações genéticas de animais já conhecidos. No caso da sururina-da-serra, no entanto, trata-se de uma espécie completamente desconhecida até então.
Os estudos indicam que a ave vive apenas em uma área isolada de floresta montana na Serra do Divisor, o que torna a preservação do habitat essencial para garantir a sobrevivência da espécie.
Considerada uma das regiões com maior biodiversidade da Amazônia, a Serra do Divisor abriga o Parque Nacional da Serra do Divisor, localizado no extremo oeste do Acre. Pesquisadores apontam que o relevo montanhoso, o isolamento geográfico e a diversidade de ambientes favorecem o surgimento de espécies únicas na região.
Ao final do vídeo, o pesquisador faz uma reflexão sobre o potencial ainda pouco explorado da biodiversidade amazônica. “A pergunta que fica é: quantas outras espécies desconhecidas ainda estão escondidas por aí?”, questiona.


