10 de junho de 2026

Subsecretário é exonerado no RJ após filho ser citado entre acusados de estupro coletivo

Subsecretário é exonerado no RJ após filho ser citado entre acusados de estupro coletivo
Subsecretário é exonerado no RJ após filho ser citado entre acusados de estupro coletivo

Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima desse tipo de violência ou conheça alguém que passe ou já tenha passado por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro anunciou durante a tarde desta terça-feira (3/3) a exoneração de José Carlos Simonin, subsecretário de Governança, Compliance e Gestão. O agente administrativo é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos quatro réus acusados por estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos.

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Dois dos quatro suspeitos maiores de idade, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos, se entregaram na manhã desta terça-feira na delegacia, no entanto, o filho de José Carlos permanece foragido. Segundo o delegado, ele e Bruno Felipe dos Santos Allegretti devem se entregar até quarta-feira (4/3).

Veja as fotosAbrir em tela cheia Reprodução Momentos registrados pela câmera de segurançaReprodução Polícia do RJ procura por 4 jovens suspeitos de estupro coletivo contra adolescente de 17 anos Acusado de estupro coletivo na delegaciaReprodução / Globo Polícia do RJ procura por 4 jovens suspeitos de estupro coletivo contra adolescente de 17 anos

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Segundo a nota da secretaria, a media foi tomada para resguardar a condução dos fatos: “A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos informa que o subsecretário José Carlos Simonin será exonerado nesta terça-feira, 3 de março. A medida foi adotada no âmbito administrativo, visando resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados. As investigações seguem sob responsabilidade das autoridades competentes. A Pasta reafirma seu compromisso com a dignidade humana e a preservação da vida”.

O subsecretário é advogado e integrava o Conselho Gestor do Fundo de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais, participava do Conselho Gestor do Fundo Estadual de Investimentos e Ações de Segurança Pública e Desenvolvimento Social, ocupava a vice-presidência do Conselho Estadual de Assistência Social e participou da elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social.

Nas redes sociais, a secretária da pasta, Rosangela Gomes, afirmou ter tomado consciência dos fatos com profunda indignação e tristeza: “Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas, acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo combate a todo tipo de violência. Jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens”, escreveu.

Entenda o caso:

O crime ocorreu no dia 31 de janeiro, e imagens do circuito interno de segurança mostram a entrada e a saída dos suspeitos do apartamento, próximo ao horário da ação. Mensagens por aplicativo anexadas ao inquérito também revelaram a conversa entre a adolescente e o ex-namorado, em que ele a convida para ir até o apartamento e afirma que ela poderia levar uma amiga, mas a jovem afirma que não teria quem levar. O adolescente diz, então, que não haveria problema em ela ir sozinha. Logo após, eles combinam o encontro e o horário de chegada.

O delegado titular da unidade, Ângelo Lages, informou que o caso está sendo tratado como uma “emboscada planejada”. “Foi uma emboscada planejada, em que a vítima foi enganada por meio de um convite simulado feito por um dos agressores, que já havia se relacionado com ela e estuda no mesmo colégio. A partir dessa relação de confiança, ela foi até o imóvel para se encontrar com ele. No entanto, o quarto foi invadido por outros quatro adultos, que praticaram violência sexual, agressões físicas e violência psicológica”, afirmou.

Segundo o laudo do exame de corpo de delito, foram apontados infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal, além de três grupos de equimoses nas regiões dorsal e glútea.

Em nota, a defesa de um dos envolvidos nega o crime: “A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feito anteriormente. Há nos autos do processo mensagens de texto trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido a oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem, ao fim do encontro, despedindo-se do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação”.