A atuação da Seleção Brasileira na derrota por 2 a 1 para a França expôs um contraste evidente entre protagonismo esperado e entrega real dentro de campo. O jogo levanta uma questão central: o que faz um dos principais jogadores do futebol mundial, decisivo no maior clube do mundo e protagonista em grandes competições, vestir a camisa da Seleção e apresentar um desempenho tão distante do que costuma entregar em clube?
ASSISTA O ATUALIZA JÁ ESPORTE DE HOJE (26/03)
Vinícius Júnior novamente teve atuação apagada. Sem conseguir vencer duelos, errando decisões no último terço e pouco participativo nas ações ofensivas, não assumiu o protagonismo esperado. A dificuldade em reproduzir na Seleção o nível que apresenta no Real Madrid volta a ser um ponto de atenção. A mesma leitura se aplica a Raphinha, que participou no início, mas caiu de rendimento e não foi decisivo.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Matheus CunhaReprodução/CBF Casemiro e Raphinha reclamando em amistoso contra a FrançaReprodução/CBF Vini Jr. em amistoso contra a FrançaReprodução/CBF Vini Jr. cumprimentando jogadores da FrançaReprodução/CBF Casemiro e Wesley em lance contra a FrançaReprodução/CBF Seleção reunida antes do jogoReprodução/CBF
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A ausência que se faz presença
Esse cenário ajuda a explicar por que Neymar segue como referência simbólica, mesmo fora de campo. Historicamente associado à responsabilidade e à condução ofensiva da equipe, sua ausência evidenciou a falta de um jogador com perfil de assumir riscos e liderar ações em momentos críticos. A Seleção, em diversos momentos, mostrou dificuldade em sustentar esse papel coletivo.
Personalidade não se improvisa
Enquanto nomes consolidados não corresponderam, Luiz Henrique apresentou impacto imediato ao entrar no segundo tempo. Com objetividade, enfrentamento direto da marcação e capacidade de criar desequilíbrios, foi quem mais alterou o ritmo ofensivo. Sua atuação se destacou pela execução técnica, mais a postura ativa diante de um cenário adverso. Hoje, ele joga no Zenit, da Rússia. Visibilidade e competitividade bem abaixo do que um clube europeu. Seria então a ausência de pressão fator importante pra um jogador ter mais confiança?
Quem sustenta atrás também decide na frente
Na defesa, Bremer foi o principal destaque. Além do gol que recolocou o Brasil na partida, demonstrou solidez nos duelos, leitura de jogo e participação na construção ofensiva. Sua atuação reforça a disputa por posição e o coloca como opção consistente para a sequência.
Experiência que já não cobre tudo
No meio-campo, Casemiro manteve sua capacidade de liderança e qualidade nos passes, mas evidenciou limitações físicas em transições defensivas. As falhas em momentos-chave contribuíram diretamente para os gols sofridos, indicando a necessidade de ajustes estruturais no setor.
Entrega sem sustentação
Pelos lados, Wesley França mostrou entrega, intensidade e disposição para brigar por cada bola, mas esbarrou em limitações defensivas evidentes diante de adversários de alto nível. Ao ser exposto em duelos diretos, especialmente contra jogadores do calibre de Kylian Mbappé, a fragilidade aparece e se torna um problema estrutural. Hoje atuando mais avançado em seu clube, com características ofensivas, velocidade e capacidade de condução em diagonal, ele até oferece alternativas no ataque, mas dentro da proposta adotada por Carlo Ancelotti, esse potencial não tem sido bem aproveitado. Em jogos de maior controle, pode funcionar; em cenários competitivos, como o desta partida, as limitações ficam expostas.
Esforço que não se traduz em protagonismo
No comando do ataque, Matheus Cunha confirmou uma leitura que já vinha sendo construída: é um jogador esforçado, com méritos para compor elenco, mas que não transmite a personalidade nem a qualidade necessárias para ser referência titular de uma Seleção Brasileira. Falta imposição, presença em momentos decisivos, e a sensação de que pode resolver. É uma peça que pode ser útil em contextos específicos, vindo do banco, em jogos que encaixem com seu perfil, mas não como protagonista.
Potência sem contexto
Igor Thiago entrou ainda em um estágio natural de adaptação, sem conseguir se impor ou chamar o jogo. A própria circunstância pesa: ainda não foi testado em um ambiente de alta pressão com a camisa da Seleção, e isso impacta diretamente na confiança. É um centroavante de características clássicas, com imposição física e jogo aéreo, mas que precisaria estar inserido em um contexto tático que potencialize essas virtudes, como acontece em seu clube. Do jeito que foi utilizado, pouco conseguiu agregar.
Talento sem imposição
Já João Pedro apresenta qualidade e potencial, mas também esbarra na mesma questão: falta de personalidade para se impor. Participa, se movimenta, mas não assume o protagonismo, não chama a responsabilidade em um nível que se espera de quem ocupa essa função. No conjunto, o setor ofensivo acabou refletindo exatamente isso: esforço, presença, mas pouca imposição real sobre o adversário.
Estrutura que não se sustenta
Do ponto de vista tático, o modelo com quatro atacantes e apenas dois meio-campistas escancara um problema estrutural. Falta sustentação no setor central, e isso compromete tudo: a proteção defensiva fica exposta, a saída de bola perde qualidade e o time se parte com facilidade. É um desenho que até pode funcionar em cenários de amplo domínio, contra adversários mais frágeis, mas em jogos de nível alto, como contra a França, cobra um preço imediato. O meio-campo fica sobrecarregado, os espaços aparecem, e a equipe perde controle do jogo.
Equilíbrio antes do brilho
A alternativa poderia passar por um meio mais povoado e funcional. Uma linha com três jogadores no setor central permitiria distribuir melhor as responsabilidades, com um volante mais fixo, alguém com capacidade de construção e um meia com função de articulação. Isso daria sustentação às duas fases do jogo e evitaria que o time ficasse tão espaçado. Na frente, a presença de um centroavante mais definido também se mostra necessária. Falta referência, falta alguém que segure a defesa adversária e transforme volume em efetividade.
Potencial que pede oportunidade
Por fim, a ausência de Endrick mantém aberta uma discussão inevitável. Trata-se de um jogador com características raras dentro do elenco: presença de área, frieza para decidir e personalidade para assumir responsabilidade. Mesmo jovem, aparenta ter um perfil mais compatível com o que falta ao time hoje. Para que isso se confirme, no entanto, é necessário algo básico: oportunidade, contexto e confiança para que possa ser testado em nível alto. Essa confiança precisa ser depositada e lapidada para que, finalmente, impacte em resultado concreto.
Um time em busca de si
A atuação contra a França, mais do que o resultado, expõe um cenário claro: a Seleção ainda busca identidade, equilíbrio e protagonismo dentro de campo. Há talento disponível, mas falta encaixe coletivo e, principalmente, resposta individual nos momentos em que o jogo exige personalidade.


