Moradores de Rio Branco ainda enfrentam os impactos da enxurrada que atingiu a região da Baixada da Sobral na última terça-feira (14). Passados sete dias, famílias relatam prejuízos materiais e dificuldades para retomar a rotina após a água invadir casas e afetar mais de 1,1 mil lares em cerca de 15 bairros.
Entre os danos estão móveis e eletrodomésticos comprometidos, muitos deles precisando de conserto ou substituição. Diante da gravidade, a Prefeitura de Rio Branco decretou situação de emergência na quinta-feira (16).
Logo após a enchente, os moradores iniciaram a limpeza das residências, retirando lama e entulhos ainda na quarta-feira (15). Segundo a Defesa Civil, em apenas três horas choveu o volume esperado para uma semana, com acumulado de 51,8 milímetros. Ao todo, 54 ruas necessitam de limpeza.
No bairro Plácido de Castro, um dos mais atingidos, o morador Jacinto França afirma que a ajuda recebida foi limitada. Ele relata que precisou arcar com os custos para recuperar eletrodomésticos danificados.
“Já recuperamos um pouco, mas gastando dinheiro. Uma custou cerca de R$ 300 e outra R$ 200, a geladeira e a máquina de lavar roupa. O dinheiro foi para comprar a peça para trocar. E as outras coisas, assim, a gente nem inclui”, disse.
Além das perdas materiais, a situação de higiene preocupa quem vive nas áreas afetadas. Também morador do bairro, Paulo Ferreira destaca a dificuldade para limpar a casa devido à sujeira trazida pela água, especialmente em regiões próximas a córregos.
“Não tem nem como fazer uma limpeza, porque o igarapé está com essa sujeira que acaba chegando dentro de casa também. Lá pela frente, do mesmo jeito. Quando vem a alagação não tem nem como, é essa imagem de rato por todo canto e a nossa preocupação é essa”, afirmou.
Ele afirma que vizinhos também perderam bens e cobram soluções para o problema recorrente. “Tem esse apartamento [vizinho], a mulher perdeu tudo de uma hora para outra. Até na nossa casa, que é mais alta, também alagou tudo. A preocupação do povo é essa aqui, queremos saber de uma melhoria [para o bairro]. Aqui, toda semana, são duas ou três alagações por dia e não aguentamos mais, já perdemos tudo”, declarou.
A preocupação com a saúde também cresce entre os moradores, que realizam a limpeza por conta própria. “Fica aquela lama dentro de casa para fazermos a limpeza e para comprar as coisas fica difícil, pois às vezes não temos recurso para comprar o remédio para a pessoa melhorar, por exemplo”, comentou Ferreira.
O decreto de emergência tem validade de 180 dias e busca viabilizar ações mais rápidas de apoio às famílias. O prefeito Alysson Bestene anunciou ainda o envio de um projeto à Câmara Municipal que prevê um auxílio financeiro de R$ 2 mil para os atingidos.
A proposta cria o Benefício Municipal Emergencial (BEM), destinado a famílias inscritas em programas sociais, como o Cadastro Único. Os beneficiários passarão por avaliação conforme critérios definidos no projeto.

De acordo com a prefeitura, equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos e da Defesa Civil seguem atuando no cadastramento das famílias e na distribuição de cestas básicas e kits de limpeza.
Com informações do G1 Acre.


